sábado, 11 de março de 2017

Sempre em fluxo



"Quem não agradece pela graça, corre o perigo de que ela acabe; mas quem agradece por ela amarra-a com as suas próprias cordas" (Ibn Ata Allah). Nestas palavras expressa-se a experiência de que a gratidão fomenta o bem viver. Quem quer apenas desfrutar tem medo de que o que é bom lhe seja arrancado rápido. Portanto, ele tem de se agarrar avidamente a tudo. Mas quem agradece por aquilo que recebe de presente experimenta sempre algo de novo, pelo qual ele pode agradecer. É verdade que Ibn Ata Allah diz que a gratidão irá amarrar a graça com as suas próprias cordas. Esta é uma imagem forte para a experiência de que a graça continua a fluir quando agradecemos por ela. Quando nós, ao contrário, a tomamos como algo sem importância, ela se esgota. A pessoa ingrata tem sempre pouco. Para ela, nunca é suficiente o que recebe. Quem é grato, porém, sempre tem alguma coisa pela qual ele pode agradecer. nele, a vida jorra. A gratidão o mantém em fluxo".
 

GRÜN, Anselm. Pequeno tratado do bem viver. 2. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2013. p. 77-78.
 
 
Pintura de Pierre Joseph Redouté (1759-1840)

quarta-feira, 1 de março de 2017

Crie seu próprio mérito


"Nunca dependa da admiração dos outros. Não há força nisto. O mérito pessoal não pode derivar de uma fonte externa. Não é encontrado nos relacionamentos pessoais nem na consideração de outras pessoas. É um fato da vida que os outros, mesmo aqueles que o amam, não concordem necessariamente com suas ideias nem o compreendam ou partilhem seus motivos de entusiasmo. Cresça! Não é importante o que os outros pensam de você!
Crie o seu próprio mérito.
O mérito pessoal não pode ser adquirido através de nosso relacionamento com pessoas de mérito. Você recebeu um papel a desempenhar e um trabalho a cumprir. Faça-o bem agora, dê o melhor de si e não se preocupe com quem o está observando.
Faça o seu próprio trabalho sem se importar com as honrarias ou a admiração que vêm dos outros. Não existe mérito indireto.
A excelência e os triunfos das outras pessoas pertencem a elas. Da mesma forma, as coisas que você possui podem ser excelentes, mas a sua excelência pessoal não deriva delas.
Pense nisto: o que é realmente seu, o que realmente lhe pertence? É o uso que você faz das ideias, recursos e oportunidades que cruzam o seu caminho. Você tem livros? Leia-os. Aprenda com eles. Aplique a sabedoria que está contida neles. Você possui conhecimentos especializados? Faça bom e pleno uso deles. Você tem ferramentas? Vá busca-las e construa ou conserte coisas com elas. Você tem uma boa ideia? Persiga-a e leve-a até o fim. Tire o maior proveito possível daquilo que você tem, do que é seu de verdade.
Você ficará merecidamente feliz e à vontade consigo mesmo quando harmonizar suas ações com a natureza reconhecendo o que é verdadeiramente seu".
 
EPICTETO. A arte de viver. Interpretação de J. Sharon Lebell. Rio de Janeiro: Sextante, 2000. p. 71-72.
 
 
 
Pintura de August Muller (1815-1883)