sábado, 8 de abril de 2017

Alegria


Jean-Jacques Antier diz: "Falemos então da alegria.


Do latim gaudium, podemos defini-la como uma viva satisfação do espírito, uma felicidade interior que enleva todo ser.
"A alegria é a passagem a uma perfeição ou a uma realidade superior", disse Spinoza. "Alegrar-se", acrescenta A. Compte-Sponville, "é sentir aumentar a própria força, é perseverar triunfalmente no ser". É, assim, uma exaltação de todo o ser, que se opõe à tristeza, a qual é uma diminuição, uma perda de força, uma entropia. A alegria é procurada de forma mais espontânea do que o prazer, porque ser feliz é principalmente existir, e não há nada mais agradável do que existir. É por isso que o amor é alegria, é "um algo mais de existência ou de perfeição".
Antes de tudo, a alegria, que traz a felicidade, resulta da harmonia entre o corpo e o espírito, o ser vivente e a natureza.
A alegria é contagiosa. Trazer alegria a alguém é uma grande virtude, e temos a paga de volta, porque a verdadeira felicidade é dar a alegria aos outros. Para que isso aconteça, é preciso que a própria pessoa tenha paz na alma e o coração em festa, o que é próprio das pessoas equilibradas e apaixonadas, que têm uma forte razão de viver. Em oposição, Spinoza se revoltava contra os "invejosos que sentem prazer com a nossa dor e que consideram virtude nossas lágrimas, nosso medo e outras marcas de impotência interior".
A alegria era para ele um sinal de perfeição. Quanto maior a alegria, tanto maior a perfeição, e tão mais necessário que participemos da natureza divina".
A alegria é, com efeito, um culto que se rende a Deus. É o barômetro da alma. [...]. A alegria, que também é um transbordamento de esperança, supõe uma grande fé em Deus ou no homem e um temperamento otimista. Evidentemente, é um dom de nascença, mas pode-se cultivá-lo, tanto mais porque jamais é puro. O homem é sempre atraído por sentimentos positivos e negativos, de confiança e de dúvida, como se houvesse nele dois espíritos. É nesse sentido que a alegria, como o otimismo, é uma virtude."

GUITTON, Jean. O livro da sabedoria e das virtudes redescobertas. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2003. p. 153-154.


Girassol

sábado, 1 de abril de 2017

A música, esteio do trabalho espiritual


Aprendam a utilizar a música para fazer um trabalho interior: ela os ajudará a realizar seus melhores desejos. Vocês desejam tantas coisas boas, mas não sabem o que fazer para obtê-las.Acontece que a música, justamente, é uma ajuda muito poderosa para a realização. Ao ouvi-la, em vez de permitirem que seu pensamento vague daqui para ali, concentrem-se naquilo que mais desejam. Se for saúde, imaginem-se como um ser saudável: o que quer que façam, seja caminhar, falar, comer, vocês ostentam uma saúde radiante e fazem com que todos ao seu redor sejam saudáveis. Se o que lhes faltar for a luz, a inteligência, utilizem a música para imaginar que estão aprendendo, que compreendem, que são penetrados pela luz e até mesmo propagam e proporcionam a luz aos outros. Se quiserem adquirir beleza, força de vontade ou estabilidade, ajam da mesma maneira. Façam esse trabalho em todos os campos nos quais sentirem que existe em vocês uma lacuna.  

AÏVANHOV, Omraam Mikhael. Regras de ouro para a vida cotidiana. Rio de Janeiro: Nova Era, 2010. p. 56.


 Pintura de Carl Larsson (1853-1919)