quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Serenidade interior


"As pessoas que esperam demais da vida encontram dificuldades em aceitar a própria vida. George Bernard Shaw encontrou um caminho para entrar em sintonia com a sua vida: "Aprendi a não esperar demais da vida. Este é o segredo da verdadeira serenidade e o motivo pelo qual tenho surpresas agradáveis em vez de decepções tristes". Como não cria ilusões e não deixa o  êxito da sua vida depender de determinadas expectativas, ele permanece em sintonia consigo mesmo. Consegue ser sereno e relaxado interiormente, e grato pelas agradáveis surpresas que a vida sempre lhe prepara".
 
GRÜN, Anselm. Deixe as preocupações de lado e viva em harmonia. 2.ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2010. p. 110-111.
 
 
 
Pintura de Claude Monet (1840-1926)


 

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Não existe essa coisa de viver sozinho


"Queremos fugir da nossa solidão, de seus medos apavorantes, e por isso dependemos um do outro, enriquecemos a nós mesmos com o companheirismo, e assim por diante. Somos os primeiros propulsores, e os outros se tornam peões em nosso jogo; e quando o peão se vira e exige algo em troca, ficamos chocados e tristes. Se a nossa própria fortaleza for forte, sem um ponto fraco em sua estrutura, esse ataque externo tem poucas consequências para nós. As tendências peculiares que surgem com o avanço da idade devem ser entendidas e corrigidas enquanto ainda somos capazes de uma auto-observação e um estudo imparciais e tolerantes. Nossos medos devem ser observados e entendidos agora. Nossas energias devem ser direcionadas, não apenas ao entendimento das pressões e exigências externas pelas quais somos responsáveis, mas à compreensão de nós mesmos, nossa solidão, nossos medos, necessidades e fragilidades.
Não existe essa coisa de viver sozinho, pois todo viver é relacionamento. Mas viver sem relacionamento direto exige uma inteligência superior, uma consciência rápida e maior da autodescoberta. Uma existência "solitária", sem a consciência apurada e fluente, fortalece as tendências já dominantes, causando desequilíbrio e distorção. É o momento de nos tornarmos conscientes dos hábitos estabelecidos e peculiares do pensamento-sentimento que vêm com a idade, e ao entende-los, dispensá-los. Somente as riquezas interiores trazem paz e alegria".
 
KRISHNAMURTI, J. O livro da vida: 365 meditações diárias. São Paulo: Planeta, 2016, p. 100.
 
 
 
Pintura de  Lucien Abrams (1870–1941).


quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Eis o brilho do homem


"Uma vida que é boa é sempre uma vida moderada. E não é uma tarefa fácil encontrar a própria medida. Pois, como diz o filósofo grego Aristóteles, "a natureza do desejo é ilimitada e a multidão vive apenas para satisfazê-lo". Temos a tendência de fazer tudo de um jeito desmedido. Uma pessoa fascinada pelo esporte corre o risco de praticá-lo sem medida. O dinheiro e a posse têm a tendência de desenvolver em nós a cobiça por mais dinheiro e mais posses. E muitas vezes não encontramos a medida certa ao avaliarmos nós mesmos: elaboramos imagens ideais de nós mesmos e não queremos admitir que a nossa realidade não alcança esse ideal. É doloroso manter a medida certa na avaliação que fazemos de nós mesmos. No entanto, experimentamos um fascínio em relação às pessoas que encontraram a medida certa. Por outro lado, quem não tem mais uma medida certa com a qual medir a si mesmo nos transmite uma impressão ruim. Essa pessoa se superestima. E acha que pode trabalhar mais do que os outros. Mas, quando testamos a sua capacidade, vemos que ela é bem modesta. Não podemos ter expectativas em relação a essas pessoas. Abbas Poimen, um monge do século IV, disse o seguinte: Conhecer a própria medida é como uma grande honra". O que constitui o brilho do homem é o conhecimento de sua medida e o fato de viver de acordo com ela".

GRÜN, Anselm. Pequeno tratado do bem viver. 2.ed. Perópolis, RJ: Vozes, 2013, p. 188-189.
 
 
 
 Camélia.
Paul Jones Flora Magnifica & Flora Superba


domingo, 27 de novembro de 2016

Amor-Perfeito (Pensamentos)


Amores-perfeitos eu te envio enquanto o ano ainda inicia,
Amarelos como o sol, púrpuras como a noite;
Flores de recordações, com afeto sempre cantadas
Por todos os mais radiantes filhos da luz;
E se na recordação vivem pesares
Por dias perdidos e sonhos não realizados,
Digo-te que a flor "salpicada de negro âmbar"
Ainda é o perfeito amor que os poetas conheceram.
Absorve toda a doçura de um presente inesperado
E retribui-me as flores com um pensamento.
 
Sarah Doudney
 
 
 
 
 
 
"A palavra inglesa para amor-perfeito é pansy, uma adaptação do francês pensée, que significa "pensamento". As pessoas costumavam enviar essas flores para que seus entes mais próximos e queridos se lembrassem delas. As pequenas plantas aveludadas com que os ingleses enfeitam seus jardins no verão começaram a ser reproduzidas na Inglaterra em tempos vitorianos a partir do amor-perfeito silvestre. Acreditava-se que essa pequena flor com uma face sorridente fosse uma poção de amor, e foi por causa dela que Titânia se apaixonou por um asno na comedia Sonho de uma Noite de Verão de Shakespeare. [...]".
 
 
 
 
 
 
A LINGUAGEM das flores. São Paulo: Melhoramentos, 1992. p. 74-75.




quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Ver as coisas tais como são



O cachorro que trocou sua presa pelo reflexo
 
 
Se os que buscam ilusões forem
chamados de loucos, os dementes então
são milhões, e os sensatos, muito poucos.
 
Esopo exemplifica essa falta de nexo com
a fábula do cão que trazia nos dentes
uma presa, um bom bocado de carne.
Debruçando-se sobre um barranco,
ele viu, refletida na água, a imagem da própria presa, que ele acreditou ser outra
ainda maior do que aquela que ele levava.
 
Iludido pela imagem, larga a presa e
atira-se na águas correntes em busca da "outra". Como o rio estava muito agitado, ele quase se afoga e, só com
muito esforço e sofrimento, alcança a
margem. Obviamente, sem a presa e sem o reflexo dela.
Quantos, como o cachorro, arriscam-se por uma ilusão!
 
 
 
 
 
 
"A paz e a lucidez começam no íntimo. Já que vivemos num mundo conflituoso e agitado, devemos dedicar algum tempo para orar ou meditar, pois apenas assim encontraremos mais conciliação, concórdia e harmonia em nossa intimidade. Entregarmo-nos a longas e profundas reflexões é essencial para a nossa sanidade mental.
Quando estamos inquietos desordenados e sem clareza interna, projetamos a agitação que sentimos para o mundo ao nosso derredor. Quando estamos serenos, podemos ver com mais lucidez e agir com capacidade e segurança, atingindo bons resultados nas decisões vivenciais. [...].
A quietude íntima faz com que alcancemos o equilíbrio perfeito para mantermos adequadas relações com as pessoas que encontramos, ou para agirmos convenientemente diante das situações que se sucedem em nosso dia-a-dia. Sem a permanente deterioração causada por ilusões ou desajustes emocionais, teremos mais tempo para diferenciar os fatos das ocorrências ilusórias. Compensados, auto-responsáveis e serenos em nós mesmos, irradiaremos paz para todos aqueles que encontrarmos. [...]".
 
HAMMED (Espírito). La Fontaine e o comportamento humano. Psicografado por Francisco do Espírito Santo Neto. Catanduva, SP: Boa Nova Editora, 2007.
 
 
 



segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Soneto CXVI


Impedimentos não admito para a união
De corações fiéis; amor não é amor
Quando se altera se percebe alteração
Ou cede em ir-se, quando é infiel o outro amador.
Oh! não, ele é um farol imóvel tempo em fora,
Que as tempestades olha e nem sequer trepida;
É a estrela para as naus, cujo poder se ignora,
Malgrado seja a sua altura conhecida.
O amor não é joguete em mãos do tempo, embora
Face e lábios de rosa a curva foice abata;
Não muda em dias, não termina em uma hora,
Porém  até o final das eras se dilata.
Se isso for erro e o meu engano for provado,
Jamais terei escrito e alguém terá amado.
 
William Shakespeare (1564-1616)
 
SONETOS. Shakespeare, William. São Paulo: Hedra, 2008. p. 111.
 
 
 
Pintura de William John Hennessy (1839-1917)
 


segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Caminhando juntos


"Ao longo do caminho, encontramos muitas pessoas. Nossos pais quase sempre lá estão, no começo, para nos dar uma mãozinha; e é bom, enquanto andamos, conversar com nossos amigos e entes queridos, partilhar o que nos inspira e, de vez em quando, recorrer a eles para apoio e orientação. Cuidamos uns dos outros, assumimos eventualmente o papel de guia e, às vezes, precisamos de ajuda para encontrar nosso caminho.
Bons professores, orientadores e amigos, se você tiver a sorte de encontra-los, devem ser convenientemente valorizados porque um bom amigo, cedo ou tarde, de um modo ou de outro, acabará ajudando-o a tomar o rumo certo. Direta ou indiretamente, ele o tornará uma pessoa melhor. Mesmo se você estiver agindo de maneira errada, ele o auxiliará a resolver problemas, banir ilusões e fortalecer sua autoconfiança. Então, a felicidade verdadeira brotará de dentro - de dentro de você. Eis o que se espera de um mestre ou amigo sincero. [...].
A amizade é tão importante que fico triste toda vez em que vejo amigos se desentendendo por ninharias. A boa companhia aumenta a  compaixão, a ternura, a sabedoria e a paz de espírito, fazendo diminuir o desejo, a inveja, o ódio e o orgulho.
Tome muito cuidado ao escolher amigos. Certas pessoas exercem influência positiva, outras não. Porém a influência dos amigos é sempre decisiva. Para mim, esse é o ponto crucial de todos os relacionamentos. Nossa intuição, quando nos encontramos com alguém, é muito forte, não importa que a pessoa seja completamente estranha ou conhecida há anos. Podemos, literalmente, sentir sua energia. É uma energia alegre ou triste? Calma ou agitada? Queremos dar a essa pessoa nosso afeto ou receber, contentes, o dela - ou  sentimos a necessidade de manter certa distância mental entre nós? Não desdenhe essa intuição: o corpo às vezes percebe melhor que a mente atarefada.[...].
Pessoas positivas costumam estar mais próximas da "natureza" do mundo, a qual respeitam profundamente. Respeitam também seus familiares, os animais, as árvores e as plantas - portanto, respeitam seus amigos. Quem não respeita a natureza dos outros quase nunca se respeita.[...]. Entretanto, se você conhecer alguém que cultiva o sentimento de compreensão, respeito-o, porque então se aproximará também da verdadeira natureza. Essas são as pessoas em quem sabemos que vamos encontrar abrigo, as pessoas que nos ajudam a acalmar nossa mente inquieta. Elas encarnam o espírito de encorajamento e por isso devem ser valorizadas".
 
DRUKPA, Gyalwang XII. Iluminação diária: o caminho para a felicidade no mundo moderno. São Paulo: Pensamento, 2013. p. 41-43.
 
 
 
 
 
Amizade
Pintura de Emil Brack (1860-1905)


terça-feira, 18 de outubro de 2016

O Discípulo

"Quando Narciso morreu, o lago de seu prazer transformou-se de receptáculo de águas doces em poço de lágrimas salgadas, e as Oréades vieram chorando pelo bosque cantar para o lago e dar-lhe conforto.
E quando viram que o lago havia se transformado de poço de águas doces em poço de lágrimas salgadas, soltaram as tranças verdes de seus cabelos, choraram pelo lago e disseram:
- Não nos admiramos de que chores desta maneira por Narciso, tão belo era ele.
- Mas Narciso era belo? - perguntou o lago.
- Quem saberia melhor que tu? - responderam as Oréades. - Por nós, ele sempre passava direto, mas tu ele procurava, e deitava-se às tuas margens e fitava-te, e no espelho de tuas águas admirava sua própria beleza.
E o lago respondeu:
- Mas eu amava Narciso porque, quando ele se deitava em minhas margens e olhava para mim, no espelho de seus olhos eu sempre via minha própria beleza refletida".
Oscar Wilde (1854-1900)
A LINGUAGEM do amor. São Paulo: Melhoramentos, 1994.
 
 
 
 
Pintura de Maxwell Armfield (1881-1972)
 

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Lírio-do-vale - Volta da felicidade

Dói-me o coração e um torpor atormenta
Meus sentidos, como se da cicuta eu tivesse bebido,
Ou esvaziado nas veias algum opiato entorpecente
Apenas um minuto atrás, e me atirado no Lete:
Não é por inveja de tua felicidade,
Mas por demais alegrar-me com tua ventura -
Que tu, Dríade de asas ligeiras entre os arvoredos,
Em algum recanto melodioso
De verdes faias e inúmeras sombras,
Cantes, a plena voz, o verão.
 
Ode a um Rouxinol
John Keats (1795-1821)
 
 
 
 
"Não é surpreendente que o lírio-do-vale simbolize a volta da felicidade, uma vez que ele é a flor mais encantadora que se pode imaginar. Com suas delicadas campânulas brancas e inconfundível aroma cheio de frescor, acredita-se que ele atraia o rouxinol de seu ninho e o conduza à sua fêmea.
Ele é o símbolo da festa da primavera e era conhecido como lírio-de-maio (mês de primavera na Europa) e como lágrimas-de-nossa-senhora, pelo fato de ter brotado das lágrimas derramadas pela Virgem Maria ao pé da cruz. As flores foram cultivadas por monges para enfeitar o altar e eram chamadas de escada-para-o-céu porque as minúsculas flores em forma de campânulas crescem como degraus subindo pelo caule".
 
A LINGUAGEM das flores. São Paulo: Melhoramentos, 1989. p. 62-63.
 
 

 
Anônimo.
LINGUAGEM as flores. 1989.











sábado, 8 de outubro de 2016

Criatividade


"Conforme a excelência do pensamento de Voltaire, "o mundo me intriga, e não posso imaginar que este relógio exista e não haja relojoeiro".
A energia do Cosmo Universal produz de maneira constante as mais novas e admiráveis formas. Duzentas rosas amarelas são estruturalmente diferentes entre si, e num vasto canteiro de roseiras vermelhas nenhuma produz, no mesmo período, o mesmo número de botões e nem mesmo a exata configuração nas flores. Num país de milhões de habitantes do mesmo grupo étnico, cada um é dessemelhante e único. Essa é a criatividade originária das leis naturais ou divinas.
Em princípio, todos os homens podem criar. Os animais produzem, às vezes, coisas notáveis e surpreendentes, mas não criam, somente utilizam o instinto - indício da existência e desenvolvimento da criatividade em potencial. Os favos de mel, os ninhos dos beija-flores, a sociedade das formigas, as barragens dos castores vêm-se repetindo iguais desde a antiguidade babilônica, assíria e romana.
O ato de criar está intimamente ligado ao "senso de progresso" que existe em cada um de nós. Criar é a capacidade inata de desestruturar algo e reestruturá-lo em forma totalmente diferente e original. [...].
O homem só é capaz de modificar e moldar o mundo ao derredor se mudar sua própria concepção e conduta interior. Basta que ele transforme a si mesmo para ver o mundo a sua volta se alterar com ele. Atos e atitudes impulsionam as mais recônditas energias dos indivíduos, libertando-os ou aprisionando-os por meio das forças vivas e plasmadoras do pensamento. Cada pessoa vive em seu "mundo íntimo", e há tantos mundos quantas pessoas. Todos esses mundos são apenas fragmentos ou aspectos do mundo invisível. [...].
Tudo no Universo tem um aspecto divinamente criativo e educacional. Mesmo que não consigamos entender de momento essa causa, mais tarde tomaremos consciência de que era unicamente produto de nosso limitado estado de compreensão e discernimento evolutivo".
 
HAMMED (Espírito). Os prazeres da alma. Psicografado por Francisco do Espírito Santo Neto. Catanduva, SP: ao Nova Editora, 2003. p. 163-167.
 
 
Pintura de Adolphe Alexandre Dillens (1821-1877)
 
 
 


domingo, 2 de outubro de 2016

Aceitando-se sem queixas


"Amar a si mesmo significa aceitar-se como alguém que tem valor porque decidiu ter valor. A aceitação significa também ausência de queixa: as pessoas que vivem plenamente jamais se queixam - não reclamam, especialmente, do fato de as rochas serem ásperas, do céu estar encoberto ou do gelo ser frio. Aceitação significa não reclamar, e felicidade significa não reclamar daquilo sobre o qual nada se pode fazer. A queixa é o refúgio daqueles que carecem de autoconfiança; o fato de falar aos outros sobre o que o desagrada em si mesmo dá a você a oportunidade de prolongar sua insatisfação, pois quem ouve não pode fazer praticamente nada a respeito, a não ser contradizê-lo, e você não acreditará nelas. Assim como queixar-se aos outros não leva a parte alguma, deixar que os outros abusem de você com cargas de infelicidade e autopiedade é algo que não ajuda ninguém. Com uma pergunta simples, é possível por fim a esse comportamento inútil e desagradável: "Por que você está me contando isso"? ou "Há algum modo de eu poder ajuda-lo nesse assunto? Fazendo a si mesmo essas perguntas, você começará a compreender seu comportamento lamurioso, reconhecendo-o como rematada idiotice. É tempo desperdiçado, que poderia ser mais bem-empregado na prática do amor a si mesmo por meio de diversas atividades, como, por exemplo, o autoelogio silencioso, ou então ajudando alguém a atingir sua própria realização. [...].
Queixar-se de si constitui atividade perfeitamente inútil, que o impede de viver plenamente; estimula a autopiedade e paralisa seus esforços no sentido de dar e receber amor. Além disso, reduz suas oportunidades de aprimorar relacionamentos amorosos e contatos sociais. Embora possa atrair atenção para você, a notoriedade conseguida provavelmente lançará sombras sobre sua felicidade.
Ser capaz de aceitar-se sem queixas envolve, ao mesmo tempo, a compreensão do amor-próprio e do processo de queixa, que se excluem mutuamente. Se você realmente ama a si mesmo, queixar-se a pessoas, que nada podem fazer torna-se uma atitude absolutamente insustentável. E você percebe, em si e nos outros, aspectos que o desagradam, dedique-se à tomada ativa das medidas necessárias, em vez de se lamentar.
Da próxima vez em que estiver numa reunião entre casais, experimente o pequeno exercício a seguir: observe que porção de conversa se gasta em lamentações - sobre as pessoas, os acontecimentos, os preços, o tempo, etc. Depois, quando a reunião estiver terminada e cada um seguir seu próprio caminho, pergunte a si mesmo: "Que parcela da lamentação desta noite serviu para alguma coisa?", "Quem realmente se importa com as nossas queixas?" Então, da próxima vez que se vir prestes a queixar-se de algo, recorde a inutilidade daquela noite".
 
DYER, Wayne W. Seus pontos fracos. 33. ed. Rio de Janeiro: BestSeller, 2013. p. 60-62. (Essenciais  BestSeller).
 
 
 
 
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sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Abrir mão, renunciar


"O ato de abrir mão, de renunciar, é o oposto de querer-possuir, é a superação da era do sempre-mais. Temos dificuldade de renunciar porque nos identificamos com a propriedade, com o "que-podemos-adquirir". Essa identidade aparente, "sou - o que tenho", é um aspecto imaturo de nosso ego. Distanciar-se do consumo e da propriedade exige uma grande medida de disciplina e orientação em outros conteúdos vitais.
Uma frase pode ajuda-lo, e você pode dizê-lo ao ver coisas desejáveis: Há tantas coisas belas de que não necessito.
A maturidade espiritual de uma pessoa pode ser reconhecida no fato de ela conseguir se alegrar com a prosperidade dos outros e com os sucessos deles da mesma maneira que com os próprios. Se você se alegrar com as diversas flores nos campos primaveris e conseguir deixá-las ali para que os outros também possam se alegrar, você estará praticando o ato de abrir mão. Você descobrirá que a riqueza pode estar na renúncia. Ao descobrir a quantidade de coisas de que não necessita, você sentir-se-á rico. Experimentará a riqueza que já possui e a riqueza que a natureza e a vida lhe oferecem gratuitamente. Reconhecendo isso, você pode apenas agradecer. Gratidão por aquilo que realmente importa - como saúde, comer o suficiente, filhos, tarefas que valem a pena e coisas similares - abre-lhe o acesso a sua verdadeira riqueza.
Agradecer por tudo o que, diariamente, lhe está à disposição é um caminho efetivo e benéfico de abrir mão. Ao agradecer reconhecemos a riqueza que já temos.
Você tem o suficiente para comer? Suas roupas lhe oferecem suficiente proteção diante das condições do clima? Você é saudável e está sem dor? Você olha repetidamente para a abundância que tem e agradece por tudo?"
 
GRÜN, Anselm; ASSLÄNDER, Friedrich. Trabalho e espiritualidade: como dar novo sentido à vida profissional. Petrópolis, RJ: Vozes, 2014. p. 74-75.
 
 


terça-feira, 27 de setembro de 2016

A felicidade só pode ser encontrada dentro de nós


"A liberdade é o único objetivo que tem valor na vida. Nós a conquistamos deixando de lado as coisas que estão fora de nosso controle. Não podemos ter o coração leve se nossas mentes são um poço lastimável de medos e ambições.
Você quer ser invencível? Então não lute com as coisas sobre as quais você não tem verdadeiro controle. Sua felicidade depende de três coisas que estão todas sob seu poder: sua vontade, suas ideias a respeito do acontecimento em que está envolvido e o uso que você faz de suas ideias.
A autêntica felicidade é sempre independente de condições externas. Pratique com o maior zelo a indiferença às condições externas. Sua felicidade só pode ser encontrada internamente.
Como é fácil ficarmos deslumbrados e sermos iludidos pela eloquência, pelos altos cargos e pelos títulos acadêmicos,  pelas grandes honrarias, pelos objetos elegantes, pelas roupas caras e pelas atitudes envolventes! Não cometa o erro de supor que as celebridades, as figuras públicas, os líderes políticos, os ricos ou as pessoas com grandes dotes intelectuais ou artísticos são necessariamente felizes. Supor tal coisa seria estar desnorteado pelas aparências e o levaria a duvidar de si mesmo.
Lembre-se: a verdadeira essência do bem só pode ser encontrada nas coisas que estão sob seu controle. Se você tiver sempre isto em mente, ficará muito menos vulnerável à falsa inveja ou à sensação de abandono comparando-se desprezivelmente aos outros e às suas realizações.
Pare de aspirar a ser outra coisa além do melhor de você mesmo. Porque isso está sob seu controle".
 
EPICTETO (c. 50 d. C. - 127 d. C.). A arte de viver. Interpretação de J. Sharon Lebell. Rio de Janeiro: Sextante, 2000. p. 87-88.
 
 
 


quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Amizade


"As histórias boas nos convidam a entrar no papel de outras pessoas, passo crucial na aquisição da perspectiva moral. Histórias sobre a amizade exigem que se adote a perspectiva de amigo, da solidariedade com o outro.
Amizade é mais que afinidade e envolve mais que afeição. As exigências da amizade - franqueza, sinceridade, aceitar com a mesma seriedade as críticas e os elogios do amigo, lealdade incondicional e auxílio a ponto do sacrifício - são estímulos poderosos para o amadurecimento moral e o enobrecimento.
A amizade genuína requer tempo, esforço e trabalho para ser mantida. A amizade e algo profundo. De fato, é uma forma de amor".
 
 
 


 
 
O Urso e os Viajantes
 
 
Esopo
 
 
 
Dois viajantes encontraram um urso na estrada.
O primeiro subiu numa árvore e se escondeu.
O outro, apavorado, resolveu se jogar no chão e se fingir de morto. O animal chegou perto, cheirou as orelhas dele e foi embora. (Dizem que um urso não mexe com quem está morto). O que estava na árvore desceu e perguntou ao companheiro o que é que o urso tinha cochichado.
- Ele me disse para não viajar mais com quem abandona os amigos na hora do perigo.
 
 
É na dificuldade que se prova a amizade.
 
 
 
(LRM)
 

 

 
O LIVRO das virtudes: uma antologia de William J. Bennett. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1995. p. 179, 184.
 
 

 
 
 
 
 



sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Escuta profunda


"Na maior parte do tempo, nossa mente está tão repleta de pensamentos que não temos espaço para ouvir a nós mesmos nem ninguém mais. [...].
Muitos de nós vivem sobrecarregados. Não parecemos ter espaço necessário para realmente ouvir e entender os demais. Pensamos muito enquanto trabalhamos oito ou nove horas diárias, sem parar, e praticamente nunca voltamos nossa atenção à respiração nem a nada mais, simplesmente pensamos. E acreditamos que, se queremos o sucesso, não podemos fazer outra coisa além disso. [...].
Quando falamos, claro que só dizemos o que nos parece certo. Porém, algumas vezes, por conta da maneira como falamos, o ouvinte não nos entende e nossas palavras não alcançam o efeito desejado, não esclarecem nem melhoram o entendimento da situação. E devemos nos perguntar: "Estou falando por falar ou estou falando porque acho que essas palavras podem ajudar a curar alguém?" Quando nossas palavras são ditas com compaixão, baseadas no amor e na atenção que devotamos à nossa interconexão, nossa fala pode ser classificada como correta.
Quando damos uma resposta imediata a alguém, em geral apenas vomitamos o que sabemos ou reagimos no calor da emoção. Quando ouvimos a pergunta ou o comentário de outra pessoa, não separamos um tempo para escutar e observar profundamente o que está sendo dito. Simplesmente devolvemos uma réplica imediata e impensada. E isso não é útil.
Da próxima vez que alguém lhe fizer uma pergunta, não a responda imediatamente. Receba a pergunta ou o comentário e permita que tais palavras penetrem em seu corpo, deixando claro a quem fala que ele ou ela foi verdadeiramente ouvido.[...]".
 
HANH, Thich Nhat. Silêncio: o poder da calma em um mundo barulhento. Rio de Janeiro: HarperCollins Brasil, 2016. p. 81-84.
 
 
 
Conversas
Pintura de Claude Monet (1840-1926)


terça-feira, 13 de setembro de 2016

Rosas - Amor

Se Zeus quisesse oferecer às plantas
Uma rainha para o mundo das flores,
A rosa seria a escolhida
E faria erubescer a rainha de cada bosque.
Filha mais doce das manhãs orvalhadas,
Joia adornando o seio da terra,
Olho do prado, brilho dos campos,
Botão de beleza, afagada pelas alvoradas:
A alma suave do amor ela respira,
A testa da Cípria com mágica adorna;
E, às carícias turbulentas de Zéfiro,
Entrega suas verdejantes tranças
Até que, excitada com o luxuriante jogo,
Faz corar até a luz dos adivinhos.
 
Safo de Lesbos (c.600 a. C.)
A linguagem das flores,1989.
 
 
 



"A rosa é a flor do amor. Ela foi criada por Clóris, uma deusa grega das flores, a partir do corpo sem vida de uma ninfa que ela encontrou certo dia em uma clareira no bosque. Pediu ajuda de Afrodite, a deusa do amor, que deu à flor a beleza; Dionísio, o deus do vinho, ofereceu néctar para proporcionar-lhe um perfume doce e as três Graças lhe deram encanto, esplendor e alegria. Depois Zéfiro, o vento oeste, afastou as nuvens com seu sopro para que Apolo, o deus-sol, pudesse brilhar e fazer a planta florescer. E, desta forma, a rosa nasceu e foi logo coroada a Rainha das Flores".
 
A linguagem das flores. 1989.
 
 
 
Pintura de Albert Williams (1922-2010)


 
 

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Ser Bom


"Ser bom é olhar as coisas e as pessoas com os "olhos do amor". A criatura que aprendeu a ver tudo com bons olhos consegue perceber que todas as ocorrências da vida estão caminhando para uma renovação enriquecedora. No Universo nada acontece que não tenha uma finalidade útil e providencial.
As grandes dificuldades não significam castigos ou punições, mas caminhos preparatórios para se alcançar dentro em breve um bem maior.
O bondoso é sustentado por sua autoconfiança e estimulado por um impulso forte e desinibido a fim de concretizar ou construir ações altruístas. Possui uma aura de vitalidade que reúne uma preciosa e rara combinação de ternura e destemor.
A criatura bondosa domina a arte da sinceridade, pois, acima de tudo, é fiel consigo mesma. Por ter desenvolvido uma natureza benevolente, tem aspecto jovial e sociável, demonstra carinho pelas crianças, aprecia a fauna e a flora, enfim gosta das coisas da Natureza. Em sua relação com os outros, é uma boa ouvinte, sempre disposta quando pode ser útil, solidária e cordial.
Há uma diferença entre bondade e desatenção às necessidades pessoais. Ser bom não é ter uma vida associada à autonegação ou autonegligência, nem mesmo ajustar-se obsessivamente às exigências e necessidades dos outros. Acima de tudo, o bondoso conhece e defende os próprios direitos, ou seja, sabe cuidar de si mesmo.
Entretanto, cuidar de si não quer dizer eu antes de tudo, mas com certeza significa eu também. A expressão "cuidar de si" não deriva do egoísmo ou do orgulho, mas traduz o dever de amar a criatura que temos responsabilidade de amparar - nós mesmos. [...].
Uma das características marcantes de nossa sociedade é fazer constantes solicitações e exigências às outras pessoas. Um indivíduo que aprendeu a ver com os bons "olhos do amor" tem a habilidade de não se deixar "estimular orgulhosamente" pelas pessoas que o rodeiam, porque aprendeu a amar ou a desempenhar sua tarefa na Terra sem expectativas alheias.
A incapacidade de dizer "não posso", "não concordo", "não sei", "não quero" acarreta ao ser humano a perda de controle da própria vida. Isso, no entanto, não significa que deva dizer "não" a tudo, mas ter o direito de responder com franqueza quando lhe perguntam se gosta ou não de alguma coisa; em outras palavras, deixar o outro saber como ele sente e pensa.
Declarar de forma positiva e direta seus valores e propósitos é preservar sua dignidade e auto-respeito. Se uma pessoa não for capaz de pronunciar essa simples palavra "não" quando bem quiser, permitirá que outras pessoas a explorem sem parar, afastando-a daquilo que realmente pode e quer fazer.
"Aqueles que nos cercam" podem nos levar a elogios desmedidos. Não se pode confiar nos aplausos. Eles podem ser retirados a qualquer momento, não importa qual tenha sido nosso desempenho passado. A inconstância é um vício peculiar da massa comum. [...].
Aprender a ser uma pessoa saudavelmente generosa pode estar ligado a uma longa aventura na área da perseverança. Ser bom não quer dizer que devemos interferir ou ficar presos nos problemas dos outros. Muitos de nós ficamos envolvidos numa generosidade compulsiva - atos de bondade motivados por sentimentos de culpa, obrigação, pena e de suposta superioridade moral.[...].
Compaixão é um ato de elevada compreensão, em que reina a fidelidade consigo mesmo, o auto-respeito, o perdão e a bondade. Ser bom, em sua exata definição, é fazer escolhas ou tomar atitudes com compaixão, lançando mão da própria dignidade e, ao mesmo tempo, promovendo a dignidade alheia".
 
HAMMED (Espirito). A imensidão dos sentidos. Psicografado por Francisco do Espírito Santo Neto. Catanduva, SP: Boa Nova Editora. 2000. p. 25-28.
 
 
Pintura de Charles Courtney Curran  (1861-1942).

 

 

domingo, 4 de setembro de 2016

A Explicação



"Tendo recobrado o bom humor, Elizabeth quis que Darcy explicasse por que se apaixonara por ela.
-Como isso começou? - perguntou. - Posso compreender como teria evoluído, depois de você ter dado um passo inicial. Mas o que poderia tê-lo inspirado, em primeiro lugar?
-Não posso precisar a hora, o local, ou o olhar, ou as palavras, que criaram a base. Faz muito tempo. Eu já estava no meio antes mesmo de saber que havia começado.
-À minha beleza você logo se opôs, e quanto às minhas maneiras... meu comportamento com você sempre beirou a incivilidade e eu nunca falei com você sem que minha primeira intenção fosse atormenta-lo. Agora, seja sincero; você me admirava por minha impertinência?
- Pela vivacidade de sua mente, sim.
- Pode chamar logo de impertinência. Não foi muito menos do que isso. O fato é que você estava cansado de civilidade, deferência, atenção formal. Estava desgostoso com as mulheres que sempre falavam, procuravam e pensavam apenas em sua aprovação. Eu o excitei e interessei pelo fato de ser tão diferente delas. Se você não tivesse uma natureza afável, teria me odiado por isso; mas, apesar de todo o esforço que fez para dissimular, seus sentimentos sempre foram nobres e justos; e, em seu coração, você desprezava totalmente as pessoas que com tanta assiduidade o cortejavam. Pronto, poupei-lhe o trabalho de explicar; e de fato, pensando bem, começo a achar que isso é perfeitamente razoável. Na verdade, você não conhece nada realmente bom de mim. Mas ninguém pensa nisso quando se apaixona".
 
Orgulho e Preconceito. Jane Austen (1775-1817)
 
 
 
 
Elizabeth e Mr. Darcy.
Orgulho e Preconceito. Jane Austen.
www.gallerily.com


quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Leitura: um mergulho em outros mundos


"A leitura não é uma virtude. Mas ela faz parte de uma vida boa. Na leitura eu mergulho em outro mundo. Para muitos, a leitura é um lugar para retirar-se, onde ninguém as perturba e elas experimentam um mundo que lhes faz bem. Não é o mundo da utilidade e da serventia, mas um mundo no qual a alma ganha asas e se  alimenta. Na leitura entro em contato com outras pessoas: com o autor, seus pensamentos e sentimentos, e também com muitas outras pessoas, aquelas sobre as quais ele escreve. E na leitura encontro a mim mesmo: ao ler, entendo melhor a minha própria vida. E a vejo em um contexto maior. A palavra alemã lesen (ler)remonta a uma raiz que significa "juntar, ajuntar, reunir o que está espalhado". Não lemos apenas os livros, mas também as espigas e os cachos de uvas durante a colheita. Na leitura, reunimos os diferentes aspectos da vida humana. É como uma colheita. Eu colho os pensamentos de outras pessoas e de épocas anteriores para alimentar-me deles. Quem lê muito torna-se lido. E conhece bem a vida. Ele é culto, pois se confrontou com outras experiências.
A leitura é, em si mesma, um ato salutar. Nela mergulhamos em um outro mundo. E ela nos liberta do mundo que muitas vezes nos aflige e ameaça. Ela torna relativas a dureza, a estreiteza e a falta  de compaixão que eventualmente nos cercam. Enquanto leio, entro em contato também comigo mesmo, e isso já é algo de muito valor, mesmo quando eu não retenho muito do que li. No momento da leitura, entretanto, eu sou outro. Aí eu estou mais próximo de mim mesmo do que em outras situações. E quanto mais eu me aproximo de mim mesmo, maior é o sucesso da minha vida".
 
GRÜN, Anselm. Pequeno tratado do bem viver. 2.ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2013. p. 161-163. 
 
 
 
 Pintura de Pierre-Auguste Renoir (1841-1919)


domingo, 28 de agosto de 2016

Ter sucesso


Rir sempre e rir muito; conquistar o respeito de pessoas inteligentes e o afeto das crianças; merecer a apreciação de críticos honestos e tolerar a traição dos falsos amigos; apreciar a beleza; procurar o melhor nos outros; tornar o mundo um pouco melhor do que o encontrou, seja por um filho saudável, um jardim ou uma condição social resgatada; saber que pelo menos uma vida respirou melhor porque você viveu. Isto é ter sucesso.

- Ralph Waldo Emerson (1803-1882)
 
 
 
 
 
 
Pintura de Marc Chagall  (1887-1985)


terça-feira, 23 de agosto de 2016

Tolerar


"Às vezes, o que você precisa é de tolerância. Para superar os problemas que o levaram a uma selva interior de sentimentos entrelaçados, como, por exemplo, o amor e o ódio, você necessita da capacidade de tolerar. Tolerar não significa suportar. Tolerar é aceitar, compreender e saber enfrentar. Ou seja, tolerar não é suportar e logo explodir. Com tolerância, você aceita e dissolve aquilo que, de outra forma, você estaria suportando. É como o mar, um exemplo de tolerância, ao qual lançamos muita sujeira que ele absorve e, com o tempo, transforma. Tolerância é ser como o oceano, isto é, saber absorver e dissolver, fazer desparecer.
Para absorver e dissolver, pensar positivo também poderá ajuda-lo: estar consciente de que você é o criador daquilo que pensa. Mude o foco de atenção. Medite. Perdoe e deixe pra lá. Olhe à frente. Quando se libertar desses sentimentos, viverá uma paz interior. Deixará de se martirizar e assumirá a responsabilidade. Ao assumi-la, permitirá que todo seu potencial permaneça desperto.
Com a virtude da tolerância, você continuará sorridente, nunca desanimará. Sorrir quando alguém o elogia não é ser tolerante. Entretanto, quando alguém se torna inimigo zangado e o insulta, mas você não mostra o menor sinal de desânimo no rosto, sequer em seus pensamentos, isso é ter tolerância. Olhar, falar e entrar em contato com sentimentos de compaixão, amor e respeito com uma pessoa com quem você não tem uma boa relação, isso é ter  tolerância.
A tolerância tem que se harmonizar com a capacidade de enfrentar, que se baseia na valentia, na coragem e na segurança. Ter o poder de tolerar lhe dá segurança e confiança de que você poderá, conseguirá, progredirá. A tolerância é necessária para a convivência, para ser e deixar ser".
 
SUBIRANA, Miriam. Serenidade mental: decida com lucidez. Petrópolis, RJ: Vozes, 2015. p. 102-103.
 
 
 


sábado, 20 de agosto de 2016

Respire antes de falar


"Esta estratégia simples sempre funcionou admiravelmente para quase todas as pessoas que conheço e a experimentaram. Os resultados quase imediatos incluem aumento de paciência, perspectiva ampliada, e, como benefícios colaterais, mais gratidão e respeito pelo próximo.
A estratégia propriamente dita é muito simples. Não envolve mais do que parar - e respirar - depois que a pessoa com quem você estiver falando tiver acabado. A princípio, o espaço de tempo entre suas vozes vai parecer uma eternidade -  mas na realidade, representa apenas uma diminuta fração de segundo do tempo real. Você se acostumará com o poder e a beleza da respiração, e irá aprecia-la, igualmente. Ela fará com que você se aproxime mais e ganhe maior respeito de praticamente todo mundo com quem você tiver contato. Descobrirá que ser ouvido é um dos maiores e mais preciosos tesouros que você pode oferecer a alguém. E tudo o que é necessário é intenção e prática.
Se você observar as conversas à sua volta, perceberá que, frequentemente, o que a maioria de nos faz é simplesmente esperar a nossa vez de falar. Não estamos realmente  ouvindo a outra pessoa, mas esperando nossa vez para expressar nosso ponto de vista. Frequentemente completamos as frases dos outros, ou dizemos coisas como "Sim, sim" ou "Sei", bem rápido, dando sinal para que eles corram e acabem logo para que chegue a nossa vez. Parece que falar com o outro é um bate-bate como o de lutadores ou bolas de pingue-pongue que vêm e vão, ao invés de uma oportunidade para apreciar e aprender numa conversa.
Esta forma de comunicação apressada nos incentiva a criticar pontos de vista, agir intempestivamente, interpretar erroneamente, imputar falsos motivos, e formar opiniões, tudo isso antes que nosso parceiro de comunicação tenha a chance de acabar de falar. Não é à toa que tantas vezes fiquemos chateados, incomodados, irritados uns com os outros. Por vezes, com nossos limitados dotes de ouvir, é um milagre que tenhamos amigos![...].
Você não precisará correr para não perder sua vez de falar - ela virá. Na verdade, será mais gratificante falar porque a pessoa com quem você vai falar o ouvirá com mais respeito e paciência, seguindo seu exemplo".
 
CARLSON, Richard. Não faça tempestade em copo d´água...: e tudo na vida são copos d´água...maneiras simples de impedir que coisas insignificantes dominem sua vida. Rio de Janeiro: Rocco, 1998. p. 157-159.
 
 
 Pintura de Claude Monet, 1886.
 


sábado, 13 de agosto de 2016

Mantenha uma atitude de esperança


"Não existe hábito mais edificante do que ter uma atitude de esperança, de convicção de que as coisas vão acabar bem, e não mal, de que nós vamos ser bem-sucedidos, e não fracassados, e de que, independentemente do que possa ou não acontecer, vamos ser felizes.
Não há nada mais útil do que manter essa atitude otimista baseada em expectativa: a atitude que sempre busca e espera o melhor, o maior e o mais feliz, e nunca se permite entrar em um estado de espírito pessimista e desanimado.
Devemos acreditar de coração que faremos aquilo a que fomos destinados. Nunca, nem por um instante, tenha duvida disso. Devemos acolher apenas "pensamentos amigos", as ideias das coisas que estamos determinados a realizar. Devemos rejeitar todos os "pensamentos inimigos", todos os humores desanimadores, tudo o que pode sugerir fracasso ou infelicidade.
Não importa o que estamos tentando fazer ou ser, contanto que sempre tenhamos uma atitude otimista, de expectativa e de esperança. Isso vai nos colocar no caminho para crescermos em todas as nossas capacidades e para nos aperfeiçoarmos em geral".
 
CARNEGIE, Dale. Como ter uma vida mais rica e influenciar pessoas. Rio de Janeiro: Best Seller, 2013. p. 112.
 
 
 
 
 
 
 
Não é o que você tem, quem você é, o que você está fazendo ou onde você esta que faz você feliz ou infeliz. É o que você pensa sobre isso.
 
Dale Carnegie (1888-1955)
 
 
 
 
 
 

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Temos que educar nosso cérebro para sentir gratidão


"Quantas pessoas colaboraram para o nosso bem-estar? De quantas pessoas depende o fato de estarmos juntos agora? De muitas e muitas. Não há ninguém que não tenha nada a ver conosco, estamos todos interligados. Devemos então nos lembrar disso e sentir gratidão.
Mas veja como funciona a nossa mente: gostamos de quem nos faz o bem, não gostamos de quem nos faz o mal. Mas quantos são os seres que nos fazem o bem e quantos são os que nos faze o mal? O nosso bem-estar depende de quantos seres? E de quantos dependem o nosso desconforto e inquietação? O mal que nos atinge depende principalmente de nós mesmos e o bem, de muitos outros seres além de nós. Essa é a verdade. [...].
No Budismo, gratidão é um princípio muito importante. Se não tivermos gratidão, não iremos crescer no caminho espiritual. Devemos ter reconhecimento pelo que nos dão. Dizem os mestres que, se não sentirmos gratidão pelo que os nossos pais fizeram, não há esperança no caminho espiritual. Foram deles que primeiro recebemos. Mas o que acontece? Somos muito estranhos! Basta uma pessoa errar em algum ponto que deixamos de reconhecer tudo o que recebemos dela. Por exemplo, saímos com alguém para almoçar, batemos um papo legal, foi tudo ótimo, mas na hora de pagar a conta ele faz algo que nos desagradou. Qual é a nossa lembrança do almoço? Boa ou ruim? Ruim! Mas por que manter a lembrança ruim se noventa e cinco por cento do tempo foi bom? Porque somos ignorantes, não vejo outra explicação. [...].
Nós temos mesmo muita dificuldade de reconhecer o lado positivo das coisas e do que recebemos das pessoas. Mesmo se alguém nos fez mal em algum momento, não há desculpa para esquecermos o que nos deu de bom. Devemos ainda ter a mesma gratidão tanto por nossos amigos como por nossos inimigos. Alguns textos dizem que a gratidão pelos inimigos deve ser até maior. Se não fossem eles, não teríamos condições para praticar a paciência, a compaixão... É fácil ter compaixão pelas pessoas de que gostamos. Difícil é sentir compaixão por aquelas de que não gostamos. Mas, se não fosse por elas nunca poderíamos desenvolver nossas qualidades positivas".
 
Lama Michel Rinpoche
 
 
CESAR, Bel. Grande amor: um objetivo de vida: diálogos entre ama Michel Rinpoche e Bel Cesar. São Paulo: Gaia, 2015. p. 297-299.