quinta-feira, 25 de maio de 2017

Fale apenas com uma boa finalidade

Dá-se muita atenção à importância moral de nossas ações e de seus efeitos. Os que procuram viver uma vida mais elevada passam também a compreender o poder moral de nossas palavras, tantas vezes esquecido.
Um dos sinais distintivos mais claros da vida moral é o discurso correto. O aperfeiçoamento de nosso discurso é um dos princípios básicos de um programa espiritual autêntico.
Antes de mais nada, pense antes de falar para ter certeza de que está falando com uma boa finalidade. O falatório vazio é um desrespeito aos outros. A exposição inconsequente de sua intimidade é um desrespeito a você mesmo.[...].
Se for preciso, mantenha-se sobretudo em silêncio ou fale com moderação. O falar, em si, não é bom nem ruim, mas o falar descuidado é tão comum que você precisa estar atento. Uma conversa frívola é uma conversa prejudicial. Além disso, é muito indelicado ser uma pessoa tagarela.[...].
Não é necessário limitar-se a assuntos elevados ou filosofar todo o tempo, mas fique atento para que o falatório comum não seja considerado uma discussão de alto nível. Nestes casos ele tem um efeito corrosivo no objetivo superior que você escolheu. Quando tagarelamos sobre frivolidades, nossa atenção fica tomada por elas e nós nos tornamos frívolos. Você se torna aquilo a que dá atenção.
Nós nos tornamos mesquinhos quando nos envolvemos em conversas a respeito de outras pessoas. De modo especial, evite acusar, elogiar ou comparar pessoas.
Tente, sempre que possível, quando perceber que a conversa em torno de você descai para o falatório fútil, trazer sutilmente o rumo da conversa de volta para assuntos mais construtivos. Se, contudo, você estiver cercado de estranhos, indiferentes, pode simplesmente se manter calado.
Seja uma pessoa bem-humorada e não dispense uma boa risada quando for o caso, [...]. Ria com nunca ria de.
Se puder, evite sempre fazer promessas frívolas.

EPICTETO. A arte de viver. Interpretação de Sharon Lebell. Rio de Janeiro: Sextante, 2000. p. 114-115.



Pintura de Carl Larsson (1853-1919)

segunda-feira, 1 de maio de 2017

A Crítica


"Sempre que fores criticado, faz uma autoanálise. Examina profundamente tuas atividades. Através dos olhos intransigentes de quem te censura, faz uma sondagem pessoal e uma autocrítica. Se encontrares alguma falha, corrige-a em silêncio e segue adiante. Se não achares em ti o defeito de que és acusado, sorri interiormente e continua teu caminho com estoica dignidade. Se os perseguidores continuarem a incomodar-te, exigindo uma reação, responde com amor, não com inimizade.
Se estiveres em posição de esclarecer outras pessoas, responde ou luta pela verdade com amor no coração, não pela honra pessoal ou por temer má fama, mas para apoiares a glória e a pureza da verdade. Que tuas palavras e atos não sejam apenas para obter uma vitória, humilhar o próximo ou alimentar a vaidade pessoal, e sim por causa da verdade. O amor pela verdade, no entanto, precisa ser sempre temperado com o amor que se orienta a evitar ferir os outros. Difamar o próximo em nome da verdade ou para obter benefícios pessoais é sinal de egotismo e fraqueza interior, um desejo de querer ser mais alto cortando a cabeça dos outros. [...].
Ocupa-te em ser bom. Teu exemplo falará um milhão de vezes mais alto do que as palavras. Combate as críticas vivendo com humildade os princípios da verdade. Reforma-te: observando o teu exemplo, os outros serão inspirados a se reformar. É disto que precisamos no mundo: os que criticam a si mesmos e não aos outros. Vence o vício com o exemplo virtuoso, o erro com a verdade, o ódio com o amor, a ignorância com a sabedoria, o medo com a coragem, a estreiteza mental com o entendimento, o fanatismo com a liberalidade. Que estas virtudes comecem contigo mesmo. Mantém-te ocupado na limpeza de tua casa mental, e quem sabe os outros se encorajem a fazer o mesmo".

YOGANANDA, Paramahansa. O romance com Deus: como perceber Deus na vida diária. Loa Angeles: Self-Realization Fellowship, 2013. v. 2, p. 256-259.



Begonia A Fleurs D´Oubles.
 L´Illustration Horticole. Gand, 1893.