quinta-feira, 30 de junho de 2016

O caminho para a felicidade


"Thomas Merton escreveu o que se segue: "O amor só pode ser preservado na medida em que a gente dá amor. A felicidade que buscamos apenas para nós não se encontra em nenhuma parte, pois a felicidade que diminui, quando a dividimos com os outros, não é suficientemente grande para nos fazer felizes". Muitas pessoas buscam a felicidade no amor. Elas são felizes quando se sentem amadas. Mas o amor não pode ser agarrado. Ele só fluirá em mim quando eu o der de presente, não apenas para a pessoa que me ama, mas também para outras pessoas. Caso contrário, ele se transforma em um egoísmo a dois, em uma simbiose que, em algum momento, sufocará a vida. O amor que é dividido com muitas pessoas é o caminho para a felicidade.
Acho muito bonita a imagem segundo a qual a felicidade que não pode ser dividida com os outros é pequena demais para nos tornar realmente felizes. O amor pressupõe um coração largo. E a felicidade não cabe em um lugar estreito, mas sim na amplidão e na liberdade. A felicidade que eu quero agarrar com a mão foge de mim. A felicidade quer ser dividida. Somente assim ela pode durar".
 
GRÜN, Anselm. Pequeno tratado do bem viver. 2. ed. Petrópolis, RJ.: Vozes, 2013. p. 170-171.
 
 
 
Pintura de Rosah Casanova


terça-feira, 28 de junho de 2016

Segredo para um ambiente feliz


"Se você deseja ser amado, comece por amar a quem necessita de seu amor. Se quer que os outros simpatizem com você, demonstre simpatia por aqueles que o cercam. Se lhe agrada o respeito de seus semelhantes, aprenda a respeita-los a todos, jovens e idosos. Não se esqueça: o que quer que espere dos outros, faça-o antes a você - e eles responderão do modo como espera.
É fácil pretender que as pessoas se comportem para conosco de maneira perfeita e é igualmente fácil surpreender-lhes as faltas. Difícil, porém, é nos conduzirmos da maneira adequada, reconhecendo os próprios erros. Se você se lembrar sempre de agir corretamente, os outros procurarão seguir o seu exemplo. Se conseguir reconhecer suas deficiências sem alimentar nenhum complexo de inferioridade, empenhando-se em corrigi-las, usará seu tempo de maneira mais proveitosa do que se tentasse melhorar os outros. O bom exemplo é mais eficaz que a boa intenção, a cólera sagrada ou as palavras.
Quanto mais você evoluir, mais edificará aqueles que o cercam. Quanto mais feliz se tornar, mais felizes eles se sentirão".
 
YOGANANDA, Paramahansa. A espiritualidade nos relacionamentos: a sabedoria de Yogananda São Paulo: Pensamento, 2011. p. 36-37.
 
 
Pintura de Albert Lynch (1851-1912)
 

 

domingo, 26 de junho de 2016

A boa-fé


"Falta-me uma palavra aqui para designar, entre todas essas virtudes, a que rege nossas relações com a verdade. Pensei primeiro em sinceridade, depois em veracidade ou veridicidade (que seria melhor, mas que o uso não abonou), antes de pensar, por um tempo, em autenticidade... Decidi-me finalmente por boa-fé, sem desconhecer que essa opção pode exceder o uso comum da palavra. Mas é boa-fé, por não ter encontrado palavra melhor. [...].
"A sinceridade", dizia La Rochefoucauld, "é uma abertura de coração que nos mostra tais como somos; é um amor à verdade, uma repugnância a se disfarçar, um desejo de reparar seus defeitos e até de diminuí-los, pelo mérito de confessá-los". É a recusa de enganar, de dissimular, de enfeitar, recusa que às vezes não passa, ela mesma, de um artifício, de uma sedução como outra qualquer, mas nem sempre, o que mesmo La Rochefoucauld admite, pela qual o amor à verdade se distingue do amor-próprio, que frequentemente o engana, por certo, mas que às vezes ele supera. Trata-se de amor a verdade mais que a si mesmo. A boa-fé, como  todas as virtudes, é o contrário do narcisismo, do egoísmo cego, da submissão de si a si mesmo. É por intermédio disso que ela tem a ver com a generosidade, a humildade, a coragem, a justiça... Justiça nos contratos e nas trocas (enganar o comprador de um bem que vendemos, por exemplo não avisando sobre determinado defeito oculto é agir de má-fé, é ser injusto, coragem de pensar e de dizer, humildade diante do verdadeiro, generosidade diante do outro... A verdade não pertence ao eu: é o eu que pertence a ela, ou que ela contém, e que ela permeia, e que ela dissolve. O eu é sempre mentiroso, sempre ilusório, sempre mau. A boa-fé liberta-se dele, e é por isso que ela é boa.
Deve-se dizer tudo, então? Claro que não, pois não é possível. Falta tempo, e a decência o impede, a doçura o impede. Sinceridade não é selvageria. Temos o direito de nos calar, e até devemos fazê-lo com frequência. A boa-fé não proíbe o silêncio mas sim a mentira (ou o silêncio apenas quando mentiroso), e ainda assim nem sempre: voltaremos a isso. Veracidade não é patetice. Em todo caso, a verdade é "a primeira e fundamental parte da virtude", como dizia Montaigne, que condiciona todas as outras e não é condicionada, em seu princípio, por nenhuma. A virtude não precisa ser generosa, suscetível de amor ou justa para ser verdadeira, nem para valer, nem para ser devida, ao passo que amor, generosidade ou justiça só são virtudes se antes de mais nada forem verdadeiras (se forem verdadeiramente o que parecem ser), portanto se agirem de boa-fé. [...]. A regra é bem enunciada por Montaigne, e é uma regra de boa-fé: "Nem sempre se deve dizer tudo, pois seria tolice; mas o que se diz, é preciso que seja tal como pensamos, senão é maldade". [...].
Que a boa-fé tenha sobretudo de haver-se com a gabolice, pois resiste a ela, foi o que Aristóteles percebeu muito bem e que confirma sua oposição ao narcisismo ou ao amor-próprio. O amor a si? Não, é claro, já que o verídico é amável, já que o amor a si é um dever, já que seria mentir, simular, para consigo mesmo, uma impossível indiferença. Mas o homem verídico se ama como é, como se conhece, e não como gostaria de parecer ou de ser visto. É o que distingue o amor a si do amor-próprio, ou a magnanimidade, como diz Aristóteles, da vaidade. O homem magnânimo "preocupa-se mais com a verdade do que com a opinião pública, fala e age abertamente, pois o pouco caso que faz dos outros lhe permite exprimir-se com franqueza. É por isso que ele gosta de dizer a verdade, salvo nas ocasiões em que emprega a ironia, quando se dirige à massa". Dir-se-á que a essa magnanimidade falta caridade, o que é verdade; mas não por causa da veracidade que ela comporta. Mais vale uma verdadeira grandeza do que uma falsa humildade. E também é verdade que ela se preocupa demais com a honra; mas nunca à custa da mentira. Mais vale uma verdadeira altivez do que uma falsa glória. [...]".
 
COMTE-SPONVILLE, André. Pequeno tratado das grandes virtudes. São Paulo: Martins Fontes, 1995. p. 213-228.
 
 
 
 


sábado, 25 de junho de 2016

A percepção da sincronicidade


" A sincronicidade está acontecendo o tempo todo - ela é a linguagem da existência. O universo sempre está conversando com você, mas, muitas vezes, você está tão denso e identificado com os pensamentos, que não percebe. Basta aquietar a mente e ampliar a sua percepção, para notar que Deus está se comunicando com você em tempo integral. Ele fala através da sua intuição; e a intuição se expressa através da sincronicidade. A intuição é a voz de Deus, a voz do coração. [...].
Quando você se permite ser guiado pela intuição e pela sincronicidade, o seu destino vai se revelando, e a sua fé vai aumentando. Você deixa de achar que está abandonado nesse mundo, porque sente que existe uma inteligência superior te guiando. [...].
Todas as coincidências misteriosas trazem um recado para você. Nem sempre esse recado é agradável, mas sempre há uma mensagem. Vamos supor que à noite você sonhou com uma determinada pessoa que não vê há anos; e pela manhã, você vai tomar café na padaria e encontra essa mesma pessoa. Não é muita coincidência? Então, experimente se aproximar dela e procure abrir a sua percepção para identificar um possível recado vindo desse encontro. Tem recado para você ali. E quando pode compreender esse recado, você começa a confiar no Grande Mistério. Você começa a desenvolver a mais bela das qualidades: a confiança. Se você quer aprender alguma coisa nessa vida, aprenda a confiar, pois a confiança aciona a intencionalidade positiva, que mantém os vetores da vontade focados no prazer positivamente orientado.
Não desanime pelo fato de algumas vezes você se equivocar; nem sempre é possível decodificar a mensagem que a sincronicidade está  trazendo. O seu ego, muitas vezes, poderá criar situações que você entenderá como uma mensagem para comprovar a sua tese de exclusão e abandono. Esteja atento para isso, pois se trata de uma repetição negativa que surge por conta dos condicionamentos da criança ferida. O ego é muito esperto, e rapidamente pode se apropriar de todo o seu conhecimento para comprovar a inexistência do amor. Portanto, aprenda a observar a verdadeira sincronicidade, para poder ouvir a voz do silêncio, a voz do amor".
 
BABA, Prem. Transformando o sofrimento em alegria. Fortaleza: Editora Demócrito Dummar, 2015. p. 164-165.
 
 
 


quarta-feira, 22 de junho de 2016

Autoconfiança


"[...]. Há uma hora na educação de todo homem, na qual ele chega à convicção de que a inveja é ignorância; de que a imitação é suicídio; de que ele tem de se considerar a si mesmo, por bem ou por mal, de acordo com seu quinhão; de que, embora o vasto universo esteja repleto de bem, nenhuma semente de trigo nutritivo pode-lhe advir senão por meio do suor vertido naquele lote de terra que lhe foi dado para cultivar. O poder que nele reside é de natureza inédita, e ninguém senão ele sabe do que é capaz de fazer, e tampouco ele o sabe, antes de o ter tentado. [...]. Um homem estará satisfeito e alegre quando houver empenhado toda a sua alma em seu trabalho e feito o melhor possível; mas aquilo que tiver dito ou feito de outro modo não lhe dará paz. É um livramento em que nada se livra. Na tentativa, seu gênio o abandona; musa alguma o favorece; nem astúcia, nem esperança.
Confia em ti: todo coração vibra em consonância com essa corda de ferro. Aceita o lugar que a Providência Divina te designou, a convivência com teus contemporâneos a correlação de eventos. Grandes homens sempre agiram assim e fiaram-se, à maneira das crianças, no gênio de sua época, revelando sua percepção de que o absolutamente digno de confiança encontrava-se assentado em seus corações, trabalhava pelas suas mãos, predominava em todo o seu ser. [...].
Que o homem saiba, então, do seu valor e mantenha as coisas sob seus pés. Que não espreite nem se mova furtivamente nem se esquive sorrateiramente para cima e para baixo com  ar de um menor abandonado, de um bastardo ou de um intruso, no mundo que existe para ele. [...].
Insisti em vós mesmos; jamais imitai. Vosso próprio dom, podereis expô-lo a todo momento com a força cumulativa de uma vida inteira de aperfeiçoamento; mas do talento adotado de outrem, tendes apenas a posse improvisada e parcial. Aquilo que cada um sabe fazer melhor, ninguém senão seu Autor pode ensiná-lo. Ninguém sabe ainda o que é, nem o pode, até que esta pessoa o exiba. Onde achar o mestre que pudesse ter instruído Shakespeare? Onde achar o mestre que pudesse ter instruído Franklin, ou Washington, ou Bacon, ou Newton? Todo grande homem é único. [...]. Não se faz um Shakespeare pelo estudo de Shakespeare. Fazei aquilo que vos cabe e nunca tereis esperanças demasiadas, nem ousareis em demasia. [...].
Usa, pois, tudo o que se chama Fortuna. A maioria dos homens especula com ela, e tudo ganha ou tudo perde, ao girar de sua roleta. Mas abandona como ilegais esses ganhos, e lida com a Causa e com o Efeito, os chanceleres de Deus. Junto à vontade, trabalha e adquire, e terás agrilhoado a roda da Fortuna, e deixarás de temer suas rotações. Uma vitória política, um aumento de rendas, convalescença de teu doente, ou o regresso de teu amigo ausente, ou algum outro acontecimento favorável eleva teu espírito, e estás certo de, com isso, poder contar com bons dias por vir. Não te fies nisso. Nada te pode trazer paz senão tu mesmo. Nada te pode trazer paz senão o triunfo dos princípios".
 
EMERSON, Ralph Waldo. Ensaios: primeira parte. Rio de Janeiro: Imago, 1994. p. 35-64.
 
 
 
Pintura de Jessie Mothersole (1873-1958)
 
 

domingo, 19 de junho de 2016

Saiba como terminar as coisas


Neste mundo, você é julgado pelo modo como termina as coisas. Uma conclusão confusa ou incompleta pode reverberar por muitos anos no futuro, arruinando sua reputação. A arte de terminar as coisas bem é saber quando parar, jamais indo tão longe a ponto de se exaurir ou criar inimigos rancorosos que envolverão em conflitos no futuro. Significa também encerrar na nota certa, com energia e discernimento. Não se trata simplesmente de vencer a guerra, mas sim de como você a vence, como sua vitória o arma para o próximo round. A suprema sabedoria estratégica é evitar todos os conflitos e emaranhamentos para os quais não há saída real.
 
 
 
 
 
O exagero é tão ruim quanto a escassez
 
- Confúcio
 
 
 
 
"Existem três tipos de pessoa no mundo. Primeiro, as sonhadoras e faladoras, que começam seus projetos com uma explosão de entusiasmo. Mas esta explosão de energia rapidamente vai se apagando quando elas enfrentam o mundo real e o trabalho duro necessário para levar a cabo qualquer projeto. São criaturas emocionais que vivem principalmente no momento; perdem facilmente o interesse quando algo novo chama sua atenção. [...].
Há aquelas que concluem tudo o que fazem, seja porque são obrigadas ou porque dão conta do esforço. Mas elas cruzam a linha final com um entusiasmo e uma energia distintamente menor do que quando começaram. Isto estraga o final da campanha. Porque estão impacientes para acabar, o fim parece feito às presas e de improviso. [...].
O terceiro grupo é o daqueles que compreendem uma lei básica de poder e estratégia: o fim de alguma coisa - um projeto, uma campanha, uma conversa  - tem enorme importância para as pessoas. Ele fica ressoando na cabeça. [...]. Sabendo da importância e da ressonância emocional do término de qualquer coisa, as pessoas do terceiro tipo compreendem que a questão não é simplesmente terminar o que começaram, mas terminar bem - com energia, ideias claras e um olho no brilho remanescente, o modo como o que aconteceu vai ficar na mente das pessoas. [...]. Estas são as eu criam coisas que duram - uma paz significativa, uma obra de arte memorável, uma longa e fértil carreira. [...]".
 
GREENE, Robert. 33 estratégias de guerra: aprenda com as batalhas da história e vença os desafios cotidianos. Rio de Janeiro Rocco, 2011. p. 319,328-329.
 
 
 
 
 
 
 
 


sexta-feira, 17 de junho de 2016

A palavra mágica


"Aprendam a falar com amor e doçura, não só aos seres humanos, mas também aos animais, às flores, aos pássaros, às árvores, a toda a natureza, pois se trata de um hábito divino. Aqueles que sabem dizer palavras que inspiram, vivificam, têm uma varinha mágica na boca, e nunca pronunciam essas palavras em vão, pois sempre há na natureza um dos quatro elementos, a terra, a água, o ar ou o fogo que está presente, atento, esperando o momento de manifestar tudo aquilo que foi expressado. Pode acontecer que a realização se efetue muito longe daquele que forneceu as sementes, mas saibam que ela sempre ocorre. Assim como o vento leva os grãos e os semeia longe, nossas boas palavras batem asas para produzir magníficos resultados longe dos nossos olhos. Se vocês aprenderam a dominar seus pensamentos e seus sentimentos, a cultivar um estado de harmonia, de pureza, de luz, sua palavra produzirá ondas que agitarão de maneira benéfica sobre toda a natureza".
 

 
AÏVANHOV, Omraam Mikhaël. Regras de ouro para a vida cotidiana. Rio de Janeiro: Nova Era, 2010. p. 71-72.
 
 
 





quarta-feira, 15 de junho de 2016

Sua missão na vida


"Você possui uma espécie de força interior que procura orienta-lo para a sua Missão de Vida - aquilo que deve realizar durante sua existência. Na infância, essa força é clara. Ela o orienta para as atividades e os temas mais compatíveis com suas inclinações naturais, deflagrando uma curiosidade profunda e primordial. Nos anos subsequentes, essa força tende a oscilar à medida que você ouve mais os pais e os amigos e sucumbe às ansiedades diárias que o desgastam e exaurem. Esse processo pode ser a fonte de sua infelicidade - de sua falta de conexão com quem você é e com o que o torna único. O primeiro passo para a maestria é sempre introspectivo - aprender quem você realmente é e se religar com essa força inata. O autoconhecimento o levará a descobrir seu caminho para a carreira mais adequada a você e permitirá que tudo o mais se encaixe. Nunca é tarde demais para iniciar esse processo".
 
Greene, Robert. Maestria. Rio de Janeiro: Sextante, 2013.
 
 
 

 
 
 
Entre os vários seres possíveis que nos habitam, cada um de nós sempre encontra aquele que é o mais genuíno e autêntico. A voz que o convoca para esse ser legítimo é o que denominamos "vocação". Mas a maioria das pessoas se empenha em silenciar a voz da vocação e se recusa a ouvi-la. Conseguem gerar ruído dentro e si mesmas (...) distrair a própria atenção a fim de não ouvi-la; e se iludem ao substituir o eu genuíno por uma vida falsa.
 
 
José Ortega y Gasset (1883-1955)
 
  
 
 
 
 
A nossa sorte está em nossas próprias mãos, como está nas mãos do escultor a matéria-prima que ele converterá em obra de arte. Com essa atividade artística acontece o mesmo que com todas as outras: simplesmente nascemos com o potencial de faze-lo.  A habilidade para moldar o material no objeto almejado deve ser aprendida e cultivada com empenho.
 
Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832)
 
 
 
 
 
 
O homem deve aprender a detectar e a observar os raios de luz que fulguram em sua mente a partir do âmago, mais que o brilho do firmamento dos bardos e sábios. Porém, sem perceber, ele desdenha das próprias ideias, apenas por serem suas. Em toda obra de gênio reconhecemos velhos pensamentos rejeitados; eles retornam a nós com ar de majestade desprezada.
 
Ralph Waldo Emerson(1803-1882)
 
 
 
 
 
  
Só não falem, de dons e talentos inatos. Podemos nomear grandes homens de toda espécie que não eram superdotados. Mas adquiriram grandeza, tornaram-se "gênios" (...) todos tiveram a diligente seriedade, antes de ousar fazer um grande todo; permitiram-se tempo para isso porque tinham mais prazer em fazer bem o pequeno e secundário do que no efeito de um todo deslumbrante.
 
Friedrich Nietzsche (1844-1900)
 
 
  




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domingo, 12 de junho de 2016

Até que ponto eu te amo?


Até que ponto eu te amo? Deixe-me dizer.
Eu te amo até a profundidade e a amplidão e as alturas
Que a minha alma consegue alcançar, quando sente o inatingível
O objetivo de Ser a Graça ideal.
Eu te amo no nível
Da mais tranquila necessidade de todos os dias,
Sob o sol ou à luz de velas,
Eu te amo livremente, como os homens se esforçam pelo que é Correto;
Eu te amo puramente, como eles que não buscam Aprovação.
Eu te amo com a mesma paixão
Dos desgostos da velhice, e da crença da infância.
Eu te amo com o amor que eu parecia perder
com meus santos esquecidos - eu te amo com o fôlego,
Sorrisos, lágrimas, de toda a minha vida! -e, se Deus o permitir,
Eu te amarei ainda mais depois da morte.

Elizabeth Barrett Browning (1806-1861)
 
In: DYER, Wayne W. Muitos mestres: sabedoria de diferentes épocas para a vida diária. Rio de Janeiro: Nova era, 2003. p. 143.
 
 
 
 
Pintura de Pierre Auguste Cot.
The Storm, 1880


quinta-feira, 9 de junho de 2016

Você não pode dar o que não tem


Examine o seguinte conceito da sua realidade interior. Seus pensamentos criam sua realidade porque seus pensamentos determinam como você responde às situações na vida do dia-a-dia. Essas respostas são a energia que você possui dentro de você para passar adiante. Se sentir raiva, é porque tem a energia da raiva no corpo. Como tudo no universo, os pensamentos são uma forma de energia. Tudo que sente e experimenta é resultado do que eu chamo de energias atrativas. Isso significa que recebe de volta o que planta no mundo. Assim sendo, o que atraiu para você é o que tem para dar para os outros.
A baixa energia atrai a baixa energia. Alguns dos pensamentos de baixa energia são a raiva, o ódio, a vergonha, a culpa e o medo. Eles não apenas enfraquecem você, como também atraem uma maior quantidade do mesmo tipo de energia! Ao transformar seus pensamentos nas frequências mais elevadas do amor, harmonia, bondade, paz e alegria, atrairá uma quantidade maior dessas mesmas energias e, portanto, terá uma reserva delas para passar adiante. Essas energias mais  elevadas e mais rápidas, que o fortalecem automaticamente, neutralizarão e dissiparão as energias mais baixas, da mesma maneira que a presença da luz faz a escuridão desaparecer.
Ao sentir mais amor por si mesmo, atrairá uma quantidade maior das energias mais elevadas e mais rápidas, e começarão a mudar o que existe dentro de você. Cultive nos seus pensamentos uma voz e atitude interiores que estejam o tempo todo a seu favor. Imagine um aspecto seu que só faz apoiar e amar você. Você pode reservar um determinado período do dia no qual este é o único pensamento no qual se permite prestar atenção! Pouco a pouco essa atitude se estenderá para as outras pessoas, mesmo que só consiga assumi-la por um ou dois minutos. Você começará a receber de volta essa energia e finalmente será capaz de enviar pensamentos de amor e alegria para todos e tudo no seu mundo. Repare quando seus pensamentos se deslocarem para a energia mais baixa da zombaria, do ódio ou da culpa e, se possível, modifique o pensamento no momento em que o tiver. [...].
Tome a firme decisão de se lembrar frequentemente do segredo de que você não é capaz de dar o que não tem. Trabalhe então no seu programa pessoal de amor por si mesmo, de auto-respeito e de fortalecimento pessoal, e crie um enorme inventário do que deseja passar adiante.
Uma das lições que continuo a aprender e praticar é que o universo responde com a mesma energia que emitimos. [...].
Se você der auto-respeito e amor-próprio, o universo através da energia atrativa, devolverá o amor e o respeito que você vem irradiando. É realmente muito simples. Você não pode dar o que não tem.
 
In: DYER, Wayne W. Os 10 segredos para o sucesso e a paz interior. Rio de Janeiro: Record: Nova Era, 2003. p 59-62.
 
 
Flores para você
Pintura de Charles Courtney Curran
 Tutt'Art@
 


segunda-feira, 6 de junho de 2016

Entusiasmo

O entusiasmo é a dinâmica da sua personalidade. Sem isso, qualquer capacidade que você possa ter permanece latente, e é seguro dizer que quase todo homem tem mais poder latente do que ele jamais aprendeu a usar. Você pode ter conhecimento, discernimento, boas faculdades de raciocínio, mas ninguém - nem mesmo você - saberá até que se descubra como colocar o próprio coração em pensamento e ação.
-Dale Carnegie (1888-1955)
 
 
 
Se existe um ingrediente de sucesso que supera todos os outros, este é o entusiasmo. O entusiasmo é uma excitação interna que permeia todo o ser. A palavra deriva de duas raízes gregas: en, que significa "em", e theos, que significa "Deus". Literalmente, a pessoa com entusiasmo possui Deus dentro de si. Trata-se de um brilho interior, uma qualidade espiritual ardente e profunda dentro do indivíduo.
Uma atitude entusiasta é fundamental para a autorrealização e nos guia para pensamentos e ações positivas. Ela cria uma energia positiva que incrementa as nossas relações com os outros, nossa disposição para estarmos abertos a novas ideias e até mesmo nossa saúde. O inverso também é verdadeiro. Dale Carnegie escreveu que "nosso cansaço muitas vezes é causado não pelo trabalho, mas pela preocupação, pela frustação e pelo ressentimento".
O entusiasmo desencadeia dentro de nós o poder de mudar nossas vidas. Concentre-se no presente para nutrir esse poder. O entusiasmo pela vida facilita a nossa capacidade de liberação dos arrependimentos do passado e das preocupações sobre o futuro. Nós não podemos mudar o passado. No entanto, podemos influenciar os resultados futuros com uma abordagem entusiasta e positiva em relação às oportunidades do presente.
Quando nossos pensamentos são impulsionados por um entusiasmo pela vida, achamos que temos poder ilimitado para desenvolver nosso próprio potencial, seja nos negócios, no esporte, na vida em comunidade ou na família. Com o tempo, a culpa, o medo e a preocupação são substituídos pela confiança e pelo otimismo.[...].
 
CARNEGIE, Dale. Como ter uma vida mais rica e influenciar pessoas. Rio de Janeiro: Best Seller, 2013. p. 29-30.
 
 
 
Mandala "Entusiasmo"
www.pinterest.com
 



domingo, 5 de junho de 2016

Margarida


Se eu pudesse ser uma flor,
A margarida eu gostaria de ser:
Suavemente fechando as pétalas
No sossego do entardecer;
E ao despertar pela manhã,
Acolher o sol que do céu vem
Quando cai o primeiro orvalho,
Que é lágrima do céu também.
 
Anônimo
 
 
 
A margarida é a flor das crianças, que adoram colhe-la para fazer ramalhetes e cordões. Na Inglaterra também é conhecida como favorita das crianças, e na Escócia, como Bairn-wort, flor infantil. Se uma garotinha colher um punhado de margaridas com os olhos fechados, o número de flores no ramalhete representará o número de anos que faltam para se casar. As jovens sempre tiram a sorte despetalando a margarida e repetindo o refrão: "Bem me quer, mal me quer".
Margarida em inglês, daisy , significa "o olho do dia". A flor justifica esse nome, pois abre-se com a luz do dia e, quando o sol se põe, dobra de novo as pétalas, como se fosse dormir.
 
In: A LINGUAGEM das flores. São Paulo: Melhoramentos, 1992. p. 32.
 
 
 
Pintura de Fredreick Morgan  (1847/1856–1927)
A Linguagem das flores. 1992


sábado, 4 de junho de 2016

Os atributos do sucesso


Existirá um poder capaz de revelar os veios ocultos de tesouros abundantes, com os quais nunca sequer sonhamos? Existirá uma força que possamos invocar para obter riqueza, felicidade e iluminação espiritual? Os santos e sábios da Índia sempre ensinaram que tal poder existe. Revelaram verdades que ignoramos ou esquecemos - e essas verdades funcionarão para você também, se quiser lhes dar uma chance.
O sucesso na vida não depende apenas da capacidade natural; depende, a mesma medida, do empenho em agarrar a oportunidade que se oferece. As oportunidades, na vida, não surgem por acaso: são criadas. E criadas por você, agora ou a certa altura do passado recente ou distante. Já que as mereceu, use-as para sua maior vantagem. Você poderá tornar a vida muito mais proveitosa, no presente e no futuro, se procurar satisfazer às necessidades imediatas concentrando-se nelas e apelando para todas as habilidades e informações disponíveis. Você deverá aprimorar todos os poderes que Deus lhe deu, os poderes ilimitados que nascem das forças interiores do seu ser.
Os pensamentos nos conduzem inevitavelmente ao fracasso ou ao sucesso: tudo depende de qual pensamento é o mais forte. Você deve, pois, confiar inteiramente em seus planos, usar seus talentos ao pô-los em prática e ser receptivo para que Deus possa trabalhar por seu intermédio. As leis divinas funcionam o tempo todo e nós estamos sempre vivenciando o sucesso ou o fracasso de acordo com o tipo de pensamento que habitualmente nos ocorre. Se a tendência de seus pensamentos for o mais das vezes negativa, um pensamento positivo ocasional não bastará para transforma-los em vibrações de sucesso.
Não corra sem parar atrás dos problemas. Deixe-os descansar um pouco, talvez eles se resolvam por si - mas cuide para você mesmo não descansar  em excesso, a ponto de perde-los de vista. Ao contrário, use esses períodos, quando seus esforços físicos e mentais estiverem inativos, para mergulhar fundo na região serena em que reina seu Eu interior. Uma vez sintonizado com a própria alma, você pensará com acerto sobre tudo o que fizer se seus pensamentos e atos se desgarrarem, poderá retomar o controle sobre eles.
Além do pensamento positivo, você deverá usar a força de vontade e a ação contínua para obter sucesso. Tudo o que vemos é resultado da vontade, mas nem sempre empregamos conscientemente esse poder. [...].
Um dos piores inimigos da força de vontade é o medo. Evite-o tanto no pensamento quanto na ação. A força vital que flui regularmente por seus nervos é obstruída quando estes ficam imobilizados pelo medo, fazendo diminuir assim a vitalidade do corpo. O medo entorpece a força de vontade. Quando se manifesta, o cérebro repassa a mensagem para todos os órgãos. O medo paralisa o coração, perturba o processo digestivo e provoca muitos outros problemas físicos Você deve ser prudente, mas nunca medroso. [...].
 
Paramahansa Yogananda
 
In: YOGANANDA, Paramahansa. Como alcançar o sucesso: a sabedoria de Yogananda. São Paulo: Pensamento, 2011. p. 13-14. 
 
 
 
 

Girassol.
Desenho de Nicolas Robert (1614-1685)





 

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Generosidade


"A generosidade não consiste em doar de forma abundante e descontrolada, mas em como e quando doar adequadamente".


A criatura generosa é alguém que aprendeu a auxiliar os outros sem se ver obrigada a tomar para si os infortúnios que não lhe pertencem. Socorre os sofredores sem emaranhar-se na sua problemática emocional. Procura ser condescendente com as aflições alheias, mas não se envolve nela. Ou melhor, não tenta carregar a cruz do mundo nas atividades que visam abrandar as dores terrenas.
O generoso não vive dilemas, pois aprendeu que não é necessário sofrer como um mártir, mas somente ser solidário e estar disposto a cooperar com as pessoas e apoia-las sempre em tudo o que estiver ao alcance de suas possibilidades físicas e psicológicas.
Para auxiliar não precisamos passar todo o tempo obcecados por pessoas de quem gostamos, ou pensando de modo compulsivo na melhor maneira de ajuda-las. Há criaturas tão absorvidas nos problemas alheios que não lhes sobra tempo para perceber e solucionar os seus.
Outras há que se tornam incapazes de viver a própria vida, sentindo-se responsável por todos os conflitos de parentes e amigos, não permitindo que eles se responsabilizem por seus atos. Carregam o fardo dos outros, não lhes dando a oportunidade de aprender por si mesmos a resolver as próprias dificuldades existenciais nem a compreender que, com o decorrer do tempo, a prática dessas experiências lhes proporcionaria viver com mais segurança e autonomia.
Uma das ferramentas básicas que podemos utilizar em benefício das pessoas é manter certa "distância psíquica" delas. Isso não quer dizer que, ao nos distanciarmos emocionalmente, deixaremos de nos importar com elas, ou de amá-las, mas de abandonarmos a angústia de viver envolvimentos neuróticos, na ânsia de tudo resolver, decidir e compreender.
Desligar-se ou distanciar-se não é recusar a ajuda afetuosa, nem viver uma aceitação passiva e resignada, mas evitar relacionamentos desgastantes e perturbadores. E deixarmos de nos alimentar de sentimentos e emoções desvairados e de relações patológicas que nos desviam de problemas prioritários para resolver. Cada ser humano é responsável por si mesmo; por isso, precisamos perceber os problemas que não são nossos, cuja solução não nos pertence. A ansiedade e a preocupação não ajudam em nada. [...].
A generosidade é o oposto do egoísmo. Enquanto o generoso desfruta liberdade, repartindo o que pode  e o que tem, o egoísta vive isolado, querendo segurar tudo e todos ao seu redor.
Egoísmo não e viver a própria vida ao nosso modo, mas desejar que os outros vivam como nós queremos.[...].
A generosidade não consiste em doar de forma abundante e descontrolada, mas em como e quando doar adequadamente.
 
Francisco do Espírito Santo Neto/Hammed
 
In: HAMMED (Espírito). Os prazeres da alma. Psicografado por Francisco do Espírito Santo Neto. Catanduva, SP: Boa Nova Ed., 2003. p. 195-198.
 
 
 
Pintura de Emile Munier (1840-1895)


quarta-feira, 1 de junho de 2016

Amar a si mesmo


Amar é desejar felicidade. Desejar a própria felicidade é amar a si mesmo. Não conseguimos desejar felicidade para alguém sem antes desejar essa mesma felicidade para nós. A felicidade que desejamos para o outro é um reflexo do que desejamos para nós. Se desejamos equilíbrio e harmonia, vamos desejar que o outro encontre esse mesmo bem-estar. Se felicidade para nós é ter prazeres e poder, vamos amar o outro desejando o mesmo para ele. Em outras palavras, é ter clareza sobre o que nos faz bem e o que nos faz mal e determinação de abandonar o que nos faz mal e cultivar o que nos faz bem. Isso é amar a si mesmo. Sem a clareza  do que é felicidade, teremos dificuldade de entender o amor. Acredito que todo ser humano, por natureza, tem amor-próprio, pois ninguém deseja sofrer. A dificuldade está em saber como ser feliz.
O amor-próprio então é algo instintivo, pois o desejo de todo ser humano é ficar livre de qualquer sofrimento. Nesse sentido, amor-próprio nada tem a ver com egoísmo, vaidade, orgulho ou falta de humildade. Mas, em nossa cultura, a ideia de amar a si mesmo está fortemente associada a algo egoísta, feio e impróprio. Por mais que dissermos que amar a nós mesmos é a base para desenvolvermos amor pelos outros, na prática ainda permanece a sensação de que estaremos privilegiando a nós mesmos em detrimento dos outros. A mensagem subliminar de que, para amar os outros, temos que nos colocar em segundo plano está fortemente arraigada. Isso causa uma constante sensação de inadequação cada vez que temos de reconhecer nossas necessidades físicas e psíquicas. Mas, por outro lado, só poderemos nos amar se cuidarmos de nós mesmos
Cuidamos de nós mesmos quando assumimos o real compromisso de cultivar o que nos faz feliz e abandonar o que gera sofrimento. Manter esse compromisso é agir de forma coerente com o nosso desejo mais profundo: ser feliz. Uma mente saudável também abandona o que faz mal aos outros e cultiva o que lhes faz bem. O problema é que, enquanto estivermos presos aos prazeres mundanos e à autoimagem,  a forma de amor que vamos ter pelos outros estará totalmente vinculada a isso. Então, dificilmente vamos ter compaixão por uma pessoa que leva uma vida aparentemente boa mas tem uma atitude com a qual não concordamos...
 
Lama Michel Rinpoche
 
In: CESAR, Bel. Grande amor: um objetivo de vida: diálogos entre Lama Michel Rinpoche e Bel Cesar. São Paulo: Gaia, 2015. p. 178-179.
 
 
 
 
 

Bel Cesar e Lama Michel Rinpoche. Grande amor. 2015.

 
 
 


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