quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Os livros são amigos


Um ditado da sabedoria judia diz: "Transforme os teus livros em amigos". Quando as coisas vão mal, eu pego um livro que me consolou em outra ocasião. Ele se torna então um amigo que abre para mim um horizonte maior, a partir do qual posso considerar meus problemas de outro modo. Um ditado oriental exprime uma compreensão semelhante: "Um quarto sem livros é como uma casa sem janelas". Uma casa sem janelas é desanimadora. Os livros trazem luz para nossa vida. E eles revelam para nós uma vista ampla. Uma pessoa que pode olhar através de uma janela nunca achará que a sua casa é pequena demais. Ao contrário, a sua casa é um abrigo em meio ao infinito do mundo, no qual ele pode abrigar-se; ela não é um esconderijo. Numa casa que tem muitas janelas, a gente vive na tensão entre a estreiteza e a amplidão, entre a distância e a proximidade, entre a proteção da casa e o desejo de conhecer novos lugares. Ao ler, viajamos sem por os pés de fora de casa. Ganhamos experiência ao entrar em contato com muitas pessoas e as suas concepções sobre a vida.

GRÜN, Anselm. Pequeno tratado do bem viver. Petrópolis, RJ: Vozes, 2013. p. 164-165.

Pintura de  Antonio Vidal Rolland 1889-1970).

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Não viver com pressa


Saber distribuir o tempo é saber aproveitá-lo. Para muitos sobra vida e falta felicidade. Desperdiçam as alegrias por não saber saboreá-las. Quando estão à frente, gostariam de voltar atrás. Querem comer em um dia o que só poderão digerir em toda a vida. Vivem os prazeres apressadamente, devoram os anos que estão por vir e, como fazem tudo às pressas, logo acabam com tudo. Até no desejo de conhecimento é preciso moderação para que as coisas não sejam mal aprendidas. Há mais dias que alegrias. Por isso, faça depressa e desfrute devagar. O feito é melhor do que o por fazer, mas as alegrias, uma vez acabadas, ficam muito pior.

GRACIÁN y MORALES, Baltasar. A arte da prudência. Rio de Janeiro: Sextante, 2003. p. 124.


 Edwards ´s Botanical Register. v. 15, 1829.
www.biodiversitylibrary.org

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

A prática da paciência


A prática da paciência traz uma estabilidade emocional que não só nos faz mais fortes mental e espiritualmente, como mais saudáveis fisicamente. Sem dúvida, atribuo a boa saúde de que desfruto a uma mente em geral calma e serena. Entretanto, o benefício mais importante da paciência consiste em sua ação como um antídoto poderoso ao mal da raiva, a maior ameaça à nossa paz interior e, consequentemente, à nossa felicidade. 
A paciência é o melhor recurso de que dispomos para nos defendermos inteiramente dos efeitos destrutivos da raiva. 
Pensem bem: a riqueza não protege ninguém da raiva. Nem a educação, por mais talentosa e inteligente que a pessoa seja. A lei, muito menos, pode ser de qualquer ajuda. E a fama é inútil. Só a proteção interior do autocontrole paciente evita que experimentemos o tumulto das emoções e pensamentos negativos.

DALAI LAMA. O caminho da tranquilidade. Rio de Janeiro: Sextante, 2000. p. 41.



Rosa wichuraiana rubra.
Revue Horticole. 1901.
www.biodiversitylibrary.org

sábado, 26 de agosto de 2017

A felicidade num cantinho


Todos conhecem outros caminhos para encontrar a paz dentro de si. Alguns vivenciam isso na natureza. Sentem que a natureza não os desvaloriza, que nela eles podem ser como são. Isso os livra de uma autodesvalorização. Francisco de Sales descobriu outro lugar para encontrar a tranquilidade: "Procurei a tranquilidade em todos os lugares, e no final eu a encontrei num cantinho, com um pequeno livro". Ao ler um livro, ele mergulha num outro mundo. É um mundo afastado das turbulências do seu dia a dia, um mundo no qual ele fala com a alma, no qual ele entra em contato consigo mesmo e o seu verdadeiro ser. Ao ler, ele se comunica diretamente com a sua alma. As palavras ressoam na sua alma e levam-no à sintonia consigo mesmo e com o seu verdadeiro ser.

GRÜN, Anselm. Deixe as preocupações de lado e viva em harmonia. 2. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2010. p. 115-116.


Pintura de Edward Cucuel - (1875-1954)

domingo, 13 de agosto de 2017

Atitude


Um pré-requisito para se tornar uma pessoa entusiasmada e automotivada é acreditar que as coisas vão acabar bem, e não mal, que nós vamos ter sucesso, e não fracassos; que, independentemente do que possa ou não acontecer, vamos ser felizes.
Não há nada mais útil do que manter essa atitude otimista de expectativa: a atitude que sempre busca e espera o melhor, o maior e o mais feliz, e nunca se permite entrar em um estado de espírito pessimista e desanimado.
Devemos acreditar que faremos o que fomos destinados a fazer. Nunca sequer por um momento devemos ter dúvida disso.
Independente do que estamos tentando fazer ou ser, devemos sempre assumir uma atitude otimista de expectativa e esperança. Isso vai nos permitir crescer em todas as nossas capacidades.
As pessoas bem-sucedidas se dão tratamentos de prosperidade e sucesso, incentivando-se e fazendo com que suas mentes sejam positivas, de modo que elas fiquem imunes a todos os pensamentos negativos desmotivantes.
O único mundo do qual saberemos qualquer coisa a respeito, o único mundo que é verdadeiro para nós, neste momento, é o  que criamos mentalmente, ou seja, o mundo do qual temos consciência. O ambiente que moldamos de nossos pensamentos nossas convicções, nossos ideais, nossa filosofia é o único no qual viveremos. Outra  inspiração, novas ideias virão amanhã. Hoje, devemos realizar a inspiração do dia.
Nenhum ser humano jamais fez sucesso tentando ser outra pessoa, mesmo que esta outra tenha sido um sucesso. O sucesso não pode ser copiado, não pode ser imitado com êxito. É uma força original, uma criação individual.
O entusiasmo ou vem de dentro ou não vem de lugar nenhum. Devemos ser nós mesmos. Devemos ouvir a voz interior. [...].

CARNEGIE, Dale. Como ter uma vida mais rica e influenciar pessoas. Rio de Janeiro: Best Seller, 2013. p. 40-41.


Arte de Marianne Broome

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

O mundo exterior é um reflexo do seu mundo interior


Saibam que não podem encontrar exteriormente nada que já não tenham encontrado em vocês. Pois mesmo aquilo que vocês encontram exteriormente, se já não tiverem encontrado interiormente, passará despercebido. Quanto mais vocês tiverem descoberto interiormente o amor, a sabedoria e a beleza, mais poderão descobri-los ao seu redor. Vocês imaginam que se não estão vendo certas coisas, é porque elas não estão presentes. Elas estão ali, sim, e se vocês não as veem é porque não as desenvolveram suficientemente dentro de vocês. O mundo exterior é feito apenas de reflexos do mundo interior, logo, não se iludam, vocês nunca encontrarão a riqueza, a paz e a felicidade exteriormente se não tiverem feito antes o esforço de encontrá-las interiormente.

AÏVANHOV, Omraam Mikhaël. Regras de ouro para a vida cotidiana. Rio de janeiro: Nova Era, 2010. p. 29-30.


Lilás

domingo, 30 de julho de 2017

O que o coração me diz


No convento franciscano de Lyon há uma inscrição que indica um caminho para nos sentirmos satisfeitos com a nossa vida: "Evite cobiçar tudo o que você vê, acreditar em tudo o que ouve, dizer tudo o que sabe e fazer tudo o que pode!" Quem quer tudo o que vê, nunca chegará a si mesmo. A sua felicidade depende do que possui. E vê sempre outras coisas que não possui. Portanto, nunca estará em sintonia consigo mesmo. Aquele que precisa dizer tudo o que sabe está constantemente pressionado a acrescentar algo à conversa. Ele precisa mostrar todo o seu conhecimento às pessoas. E nunca vivenciará o eco que tanto deseja. Preciso conformar-me com o que o coração me diz. Então estarei livre da pressão de ter de dizer tudo, fazer tudo, acreditar em tudo. 

GRÜN, Anselm. Deixe as preocupações de lado e viva em harmonia. 2. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2010. p. 111-112.


Pintura de Paul de Longpre
Século XIX

terça-feira, 4 de julho de 2017

A vida é como um piquenique



A vida é como um piquenique em uma tarde de domingo: não dura muito. Só olhar o sol, sentir o perfume das flores ou respirar o ar puro já é uma alegria. Mas, se só ficarmos discutindo onde pôr a toalha, quem vai sentar onde, quem vai ficar com o peito ou a coxa do frango... que desperdício! Mais cedo ou  mais tarde o tempo muda, a tarde cai, e o piquenique termina.
E tudo o que fizemos foi discutir e implicar uns com os outros.

RINPOCHE, Chagdud Tulku. Sementes de sabedoria: reflexões budistas para cultivar a paz. Tês Coroas: Makara, 2012. p. 34.




Pintura de Edmund Tarbell (1862-1938).

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Olhar para o alto



Nos momentos de dificuldades, vocês estão habituados a se concentrar nelas, a não ver mais nada, ruminando longamente tudo o que não funciona, tudo o que lhes causa preocupação, inquietação, mágoa... Estar desse modo sempre olhando para baixo não é um bom método: é preciso tentar olhar para o alto, onde estão a luz, a sabedoria, a beleza e tudo aquilo, justamente, que pode ajudar sua alma a descobrir meios para superar as dificuldades. Mágoas e preocupações sempre existirão, vocês não serão poupados. Para superá-las, devem fazer o que se faz contra as intempéries e os insetos: equipar-se. Contra a chuva, vocês abrem um guarda-chuva; contra o frio, usam roupas quentes ou instalam um sistema de aquecimento; contra os mosquitos, recorrem a um mosquiteiro ou a um inseticida. Pois bem, contra as dificuldades, vocês devem olhar para o alto  para obter luz e força. Só assim triunfarão.

AÏVANHOV, Omraam Mikhael. Regras de ouro para a vida cotidiana. Rio de Janeiro: Nova Era, 2010. p. 88-89.






terça-feira, 6 de junho de 2017

Criatividade e pensamento positivo



Além de aprender a soltar, o uso correto da criatividade e o pensamento positivo nos ajudam a superar as dependências. 
Frequentemente vivemos na ilusão de que só podemos ficar alegres graças aos objetos, pessoas e lugares, mas a alegria é algo que experimentamos quando colocamos nosso coração em alguma coisa, sendo a nossa intenção a de dar, e não a de tomar.
Na atividade criativa, a que experimentamos mais gozo, nossa alegria vem de dentro e se expressa para fora; ela não vem de fora para dentro.
O desenvolvimento pessoal criativo nos ajuda a superar a preguiça. Ao superá-la, recuperamos a força necessária para libertar-nos de certas dependências, como a dependência da criatividade de outros para que eles nos entretenham. Está certo desfrutar do entretenimento, mas o importante é você ser capaz de passar um bom momento sendo criativo você mesmo, superando a preguiça, o aborrecimento e a atrofia criativa interior.
Com seus pensamentos e sentimentos você cria e percebe o mundo ao seu redor. Conforme sejam seus pensamentos, assim serão seus sentimentos e emoções, sua atitude e suas ações. Este processo costuma se produzir de forma rápida e, frequentemente, você nem é consciente de que está acontecendo. Como este processo se repete seguidamente, com facilidade a partir dele é criada uma série de hábitos. [...].
É importante aprender a transformar e chegar a evitar, quer dizer, a não criar os pensamentos desnecessários, para estar mais centrado e enérgico, e ter mais clareza a fim de tomar as decisões adequadas.
Os pensamentos positivos curam e fortalecem a mente. Uma mente sadia é a base de uma personalidade equilibrada.
Aprendamos a criar pensamentos de mais qualidade. Eles surgem de uma visão mais ampla do nosso ser interior. Dessa forma, graças a esses pensamentos positivos, cheios de paz, harmonia e criatividade, a mente irá se limpando, e a memória das nossas qualidades inatas se ativará novamente, substituindo de forma natural os velhos hábitos e as tendências negativas.

SUBIRANA, Miriam. Viver em liberdade: limites, sonhos e o essencial. Petrópolis, RJ: Vozes, 2011. p. 50-52.


Pintura de Abraham Solomon (1823-1862)

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Fale apenas com uma boa finalidade

Dá-se muita atenção à importância moral de nossas ações e de seus efeitos. Os que procuram viver uma vida mais elevada passam também a compreender o poder moral de nossas palavras, tantas vezes esquecido.
Um dos sinais distintivos mais claros da vida moral é o discurso correto. O aperfeiçoamento de nosso discurso é um dos princípios básicos de um programa espiritual autêntico.
Antes de mais nada, pense antes de falar para ter certeza de que está falando com uma boa finalidade. O falatório vazio é um desrespeito aos outros. A exposição inconsequente de sua intimidade é um desrespeito a você mesmo.[...].
Se for preciso, mantenha-se sobretudo em silêncio ou fale com moderação. O falar, em si, não é bom nem ruim, mas o falar descuidado é tão comum que você precisa estar atento. Uma conversa frívola é uma conversa prejudicial. Além disso, é muito indelicado ser uma pessoa tagarela.[...].
Não é necessário limitar-se a assuntos elevados ou filosofar todo o tempo, mas fique atento para que o falatório comum não seja considerado uma discussão de alto nível. Nestes casos ele tem um efeito corrosivo no objetivo superior que você escolheu. Quando tagarelamos sobre frivolidades, nossa atenção fica tomada por elas e nós nos tornamos frívolos. Você se torna aquilo a que dá atenção.
Nós nos tornamos mesquinhos quando nos envolvemos em conversas a respeito de outras pessoas. De modo especial, evite acusar, elogiar ou comparar pessoas.
Tente, sempre que possível, quando perceber que a conversa em torno de você descai para o falatório fútil, trazer sutilmente o rumo da conversa de volta para assuntos mais construtivos. Se, contudo, você estiver cercado de estranhos, indiferentes, pode simplesmente se manter calado.
Seja uma pessoa bem-humorada e não dispense uma boa risada quando for o caso, [...]. Ria com nunca ria de.
Se puder, evite sempre fazer promessas frívolas.

EPICTETO. A arte de viver. Interpretação de Sharon Lebell. Rio de Janeiro: Sextante, 2000. p. 114-115.



Pintura de Carl Larsson (1853-1919)

segunda-feira, 1 de maio de 2017

A Crítica


"Sempre que fores criticado, faz uma autoanálise. Examina profundamente tuas atividades. Através dos olhos intransigentes de quem te censura, faz uma sondagem pessoal e uma autocrítica. Se encontrares alguma falha, corrige-a em silêncio e segue adiante. Se não achares em ti o defeito de que és acusado, sorri interiormente e continua teu caminho com estoica dignidade. Se os perseguidores continuarem a incomodar-te, exigindo uma reação, responde com amor, não com inimizade.
Se estiveres em posição de esclarecer outras pessoas, responde ou luta pela verdade com amor no coração, não pela honra pessoal ou por temer má fama, mas para apoiares a glória e a pureza da verdade. Que tuas palavras e atos não sejam apenas para obter uma vitória, humilhar o próximo ou alimentar a vaidade pessoal, e sim por causa da verdade. O amor pela verdade, no entanto, precisa ser sempre temperado com o amor que se orienta a evitar ferir os outros. Difamar o próximo em nome da verdade ou para obter benefícios pessoais é sinal de egotismo e fraqueza interior, um desejo de querer ser mais alto cortando a cabeça dos outros. [...].
Ocupa-te em ser bom. Teu exemplo falará um milhão de vezes mais alto do que as palavras. Combate as críticas vivendo com humildade os princípios da verdade. Reforma-te: observando o teu exemplo, os outros serão inspirados a se reformar. É disto que precisamos no mundo: os que criticam a si mesmos e não aos outros. Vence o vício com o exemplo virtuoso, o erro com a verdade, o ódio com o amor, a ignorância com a sabedoria, o medo com a coragem, a estreiteza mental com o entendimento, o fanatismo com a liberalidade. Que estas virtudes comecem contigo mesmo. Mantém-te ocupado na limpeza de tua casa mental, e quem sabe os outros se encorajem a fazer o mesmo".

YOGANANDA, Paramahansa. O romance com Deus: como perceber Deus na vida diária. Loa Angeles: Self-Realization Fellowship, 2013. v. 2, p. 256-259.



Begonia A Fleurs D´Oubles.
 L´Illustration Horticole. Gand, 1893.

sábado, 8 de abril de 2017

Alegria


Jean-Jacques Antier diz: "Falemos então da alegria.


Do latim gaudium, podemos defini-la como uma viva satisfação do espírito, uma felicidade interior que enleva todo ser.
"A alegria é a passagem a uma perfeição ou a uma realidade superior", disse Spinoza. "Alegrar-se", acrescenta A. Compte-Sponville, "é sentir aumentar a própria força, é perseverar triunfalmente no ser". É, assim, uma exaltação de todo o ser, que se opõe à tristeza, a qual é uma diminuição, uma perda de força, uma entropia. A alegria é procurada de forma mais espontânea do que o prazer, porque ser feliz é principalmente existir, e não há nada mais agradável do que existir. É por isso que o amor é alegria, é "um algo mais de existência ou de perfeição".
Antes de tudo, a alegria, que traz a felicidade, resulta da harmonia entre o corpo e o espírito, o ser vivente e a natureza.
A alegria é contagiosa. Trazer alegria a alguém é uma grande virtude, e temos a paga de volta, porque a verdadeira felicidade é dar a alegria aos outros. Para que isso aconteça, é preciso que a própria pessoa tenha paz na alma e o coração em festa, o que é próprio das pessoas equilibradas e apaixonadas, que têm uma forte razão de viver. Em oposição, Spinoza se revoltava contra os "invejosos que sentem prazer com a nossa dor e que consideram virtude nossas lágrimas, nosso medo e outras marcas de impotência interior".
A alegria era para ele um sinal de perfeição. Quanto maior a alegria, tanto maior a perfeição, e tão mais necessário que participemos da natureza divina".
A alegria é, com efeito, um culto que se rende a Deus. É o barômetro da alma. [...]. A alegria, que também é um transbordamento de esperança, supõe uma grande fé em Deus ou no homem e um temperamento otimista. Evidentemente, é um dom de nascença, mas pode-se cultivá-lo, tanto mais porque jamais é puro. O homem é sempre atraído por sentimentos positivos e negativos, de confiança e de dúvida, como se houvesse nele dois espíritos. É nesse sentido que a alegria, como o otimismo, é uma virtude."

GUITTON, Jean. O livro da sabedoria e das virtudes redescobertas. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2003. p. 153-154.


Girassol

sábado, 1 de abril de 2017

A música, esteio do trabalho espiritual


Aprendam a utilizar a música para fazer um trabalho interior: ela os ajudará a realizar seus melhores desejos. Vocês desejam tantas coisas boas, mas não sabem o que fazer para obtê-las.Acontece que a música, justamente, é uma ajuda muito poderosa para a realização. Ao ouvi-la, em vez de permitirem que seu pensamento vague daqui para ali, concentrem-se naquilo que mais desejam. Se for saúde, imaginem-se como um ser saudável: o que quer que façam, seja caminhar, falar, comer, vocês ostentam uma saúde radiante e fazem com que todos ao seu redor sejam saudáveis. Se o que lhes faltar for a luz, a inteligência, utilizem a música para imaginar que estão aprendendo, que compreendem, que são penetrados pela luz e até mesmo propagam e proporcionam a luz aos outros. Se quiserem adquirir beleza, força de vontade ou estabilidade, ajam da mesma maneira. Façam esse trabalho em todos os campos nos quais sentirem que existe em vocês uma lacuna.  

AÏVANHOV, Omraam Mikhael. Regras de ouro para a vida cotidiana. Rio de Janeiro: Nova Era, 2010. p. 56.


 Pintura de Carl Larsson (1853-1919)

sábado, 11 de março de 2017

Sempre em fluxo



"Quem não agradece pela graça, corre o perigo de que ela acabe; mas quem agradece por ela amarra-a com as suas próprias cordas" (Ibn Ata Allah). Nestas palavras expressa-se a experiência de que a gratidão fomenta o bem viver. Quem quer apenas desfrutar tem medo de que o que é bom lhe seja arrancado rápido. Portanto, ele tem de se agarrar avidamente a tudo. Mas quem agradece por aquilo que recebe de presente experimenta sempre algo de novo, pelo qual ele pode agradecer. É verdade que Ibn Ata Allah diz que a gratidão irá amarrar a graça com as suas próprias cordas. Esta é uma imagem forte para a experiência de que a graça continua a fluir quando agradecemos por ela. Quando nós, ao contrário, a tomamos como algo sem importância, ela se esgota. A pessoa ingrata tem sempre pouco. Para ela, nunca é suficiente o que recebe. Quem é grato, porém, sempre tem alguma coisa pela qual ele pode agradecer. nele, a vida jorra. A gratidão o mantém em fluxo".
 

GRÜN, Anselm. Pequeno tratado do bem viver. 2. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2013. p. 77-78.
 
 
Pintura de Pierre Joseph Redouté (1759-1840)

quarta-feira, 1 de março de 2017

Crie seu próprio mérito


"Nunca dependa da admiração dos outros. Não há força nisto. O mérito pessoal não pode derivar de uma fonte externa. Não é encontrado nos relacionamentos pessoais nem na consideração de outras pessoas. É um fato da vida que os outros, mesmo aqueles que o amam, não concordem necessariamente com suas ideias nem o compreendam ou partilhem seus motivos de entusiasmo. Cresça! Não é importante o que os outros pensam de você!
Crie o seu próprio mérito.
O mérito pessoal não pode ser adquirido através de nosso relacionamento com pessoas de mérito. Você recebeu um papel a desempenhar e um trabalho a cumprir. Faça-o bem agora, dê o melhor de si e não se preocupe com quem o está observando.
Faça o seu próprio trabalho sem se importar com as honrarias ou a admiração que vêm dos outros. Não existe mérito indireto.
A excelência e os triunfos das outras pessoas pertencem a elas. Da mesma forma, as coisas que você possui podem ser excelentes, mas a sua excelência pessoal não deriva delas.
Pense nisto: o que é realmente seu, o que realmente lhe pertence? É o uso que você faz das ideias, recursos e oportunidades que cruzam o seu caminho. Você tem livros? Leia-os. Aprenda com eles. Aplique a sabedoria que está contida neles. Você possui conhecimentos especializados? Faça bom e pleno uso deles. Você tem ferramentas? Vá busca-las e construa ou conserte coisas com elas. Você tem uma boa ideia? Persiga-a e leve-a até o fim. Tire o maior proveito possível daquilo que você tem, do que é seu de verdade.
Você ficará merecidamente feliz e à vontade consigo mesmo quando harmonizar suas ações com a natureza reconhecendo o que é verdadeiramente seu".
 
EPICTETO. A arte de viver. Interpretação de J. Sharon Lebell. Rio de Janeiro: Sextante, 2000. p. 71-72.
 
 
 
Pintura de August Muller (1815-1883)

 
 


terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Amor e amizade


"A regra de ouro é essencial para viver em sociedade. Ela faz valer o respeito e a polidez, duas virtudes indispensáveis à vida comum. Entretanto, a vida interior de cada indivíduo não pode se limitar a essa virtude social. Ela não é suficiente para nos tornar felizes, pois aspiramos a relações com o outro baseadas não só no respeito e na benevolência, mas sobretudo no amor e na amizade, sentimentos que desabrocham no mais íntimo do nosso ser. Eles nos levam a estabelecer uma relação livremente escolhida e nutrem nossa alma, pacificam nosso corpo, rejubilam nosso coração. [...].As tradições espirituais e religiosas tendem a ver no amor um sentimento que devemos oferecer incondicionalmente a todos os seres, e não o apego particular que podemos sentir por uma pessoa específica. Ora, a amizade real entre dois indivíduos não é um vínculo pessoal com desconhecidos, com "o outro" indefinido, mas com o amigo que escolhemos e que nos acolhe. Aristóteles é um dos que levaram mais longe a reflexão sobre o que chama de "amizade perfeita", aquela que exige tempo, estabilidade, hábitos e paixões comuns, uma partilha dos prazeres, e que ele considera indispensável à felicidade do ser humano. [...].
Uma dimensão essencial da amizade, explicitada por Aristóteles, é a reciprocidade: com efeito, só existe real amizade se ela for recíproca: nós e o amigo que escolhemos devemos extrair o mesmo prazer de nossa relação, compartilhar realmente emoções e sentimentos, sem que nenhum dos dois se sinta obrigado a cultivar essa relação unicamente para agradar ao outro. Uma amizade vacilante não é uma autêntica amizade, e também é isso que a distingue da regra de ouro, que não implica necessariamente reciprocidade.
Recebemos a família como um legado e escolhemos os amigos. Entretanto, o amigo também pode ser escolhido no seio da família: é o irmão ou a irmã com quem temos um relacionamento especial, privilegiado, a quem gostamos de confidenciar nossas alegrias e tristezas. O amigo também pode ser o companheiro ou cônjuge. Com efeito, não creio que seja possível estabelecer uma autêntica relação amorosa entre dois amantes que não sejam amigos, pois a paixão não dura. [...]. Um dia o desejo diminui, o real retorna, descobrimos o outro tal como é. Se ele for um amigo, a paixão cede lugar a uma relação igualmente forte, a da "amizade perfeita" louvada por Aristóteles, e que está na própria base do amor real, pois é o encontro com "um outro si mesmo, que tem a função de fornecer aquilo que não podemos nos proporcionar por nós mesmos". O amor de amizade constitui, com efeito, uma dupla experiência de similaridade e complementaridade. Nós nos amamos porque nossas almas se assemelham. E também nos amamos porque o outro nos proporciona o que nos falta e que não podemos dar a nós mesmos". [...]".
 
LENOIR, Frédéric. Pequeno tratado de vida interior. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012. p. 97-100.
 
 
Amizade
Pintura de Gustave Caillebotte (1848-1894).


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Um novo sabor


"A postura da gratidão foi descrita nos nossos dias por David Steindl-Rast, como a verdadeira postura básica do ser humano, até como essencial para um ser humano espiritualizado. Ele diz: "Toda gratidão é uma expressão de confiança. A desconfiança leva a pessoa a não reconhecer nem mesmo um presente como tal - quem poderia garantir que não se trata de um engodo, uma tentativa de chantagem, uma armadilha? A gratidão tem a coragem da confiança e assim supera o medo". As pessoas ingratas são desagradáveis para as outras. Elas desconfiam basicamente de tudo. Quando se dá algo de presente a elas, acham que temos um determinado objetivo. Não conseguem aceitar nada com gratidão. Interpretam tudo de forma negativa por causa da desconfiança. Steindl-Rast diz que uma pessoa grata olha positivamente para o presente em qualquer situação. Ela reconhece a oportunidade que sempre a acompanha, até mesmo na pior das situações. E agarra essa oportunidade. Tudo pelo que somos gratos - quase tudo na vida - nos dá alegria. Steindl-Rast tem razão; quando eu simplesmente aceito, com gratidão, o que uma pessoa ou o que Deus me presenteia, entro em sintonia comigo e com o mundo. Então minha vida adquire um novo e agradável sabor".
 
GRÜN, Anselm. Deixe as preocupações de lado e viva em harmonia. 2. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2010. p. 96-98.
 
 
Pintura de Carol Cavalaris.


sábado, 14 de janeiro de 2017

Audácia-Ação


De Fausto
 
 
Passe esse dia matando o tempo
 
 
Passe esse dia matando o tempo-será a mesma história
Amanhã - e  adiará mais a seguinte;
Cada indecisão traz seus próprios atrasos,
E dias são perdidos em lamentações pelos dias perdidos.
Você está falando sério? Aproveite este minuto-
A audácia envolve gênio, poder e magia.
Dê o primeiro passo, e a mente se animará-
Comece, e o trabalho estará concluído!
 
Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832)
 
In: DEYER, Wayne W. Muitos mestres: sabedoria de diferentes épocas para a vida diária. Rio de Janeiro: Record: Nova Era, 2003. p. 128.
 
 
 
 Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832)
Pintura de Johann Heinrich Wilhelm Tischbein (1751-1829).

 
 
 
 


sábado, 7 de janeiro de 2017

Aonde você quer ir?


"Se você tem uma visão, uma meta e um propósito que o motivam, sua energia fluirá para lá. Isso é bom. Energia em movimento, ou seja, "e-moção". Isso é a vida por onde a energia flui.
Somos movidos pelos desejos. Alguns estão alinhados com as metas que queremos alcançar. Outros são desejos que nos distraem, nos desviam e nos fazem cair em armadilhas. Por isso, o desafio está em não deixar-se levar pelos desejos supérfluos que brotam de uma insatisfação contínua, de um vazio interior e da ansiedade. São desejos que podem leva-lo, por exemplo, a compras compulsivas ou a comer desequilibradamente. Desejos que o enredam na luta por ter e o afastam do que você é. Você se irrita e perde a serenidade. Você se ira e diminui o seu amor. Ao não conseguir o que você  esperava, reclama. As críticas o mantém atado àquilo, àquele ou àquela a quem as dirige. Você se deixa levar pela raiva ou pelo desejo de vingança e se afasta do essencial, da direção que o liberta. Tudo isso o prende ao sofrimento.
Pergunte-se qual  é o seu desejo essencial e concentre-se em alcançá-lo. Mantenha-se no caminho conectado ao essencial para você. Com toda certeza, o que lhe interessa, motiva e causa autêntico bem-estar é o que o faz crescer. No cerne de toda experiência interessante e satisfatória está o crescimento e o enriquecimento.
Temos três impulsos básicos que nos levam ao destino ao qual a alma anseia chegar. Um impulso nasce da necessidade de conhecer e de enriquecer o saber para compreender os "por quê?" e os "para quê?" de nossa vida.
Outro impulso nasce de querer alcançar a plenitude e completar o ser.  Desejamos ser completos. Acreditamos que encontraremos o que nos completará em algum lugar lá fora.[...].
Um terceiro impulso é o que nos leva a agir. Conhecemos, queremos e intuímos algo e passamos à ação para expressá-lo, cumpri-lo e/ou obtê-lo.
Os três impulsos básicos se resumem no poder de conhecer, o poder de desejar e o poder de agir.
Você fortalece o poder de conhecer estudando-o, observando, refletindo e dialogando. Prestando atenção, em silêncio, você amplia a sua visão e conhecimento. Para tornar-se sábio, afirma Francesc Torralba, é necessário aprender a questionar com bom-senso, a escutar com atenção, a responder serenamente e a calar quando não se tem nada a dizer.
Somos movidos pelo poder de desejar. Devemos ficar atentos aos desejos que surgem da ganância, que é insaciável e provoca injustiças, desequilíbrio, ansiedade e violência. Conectemo-nos com nossos desejos essenciais, com aqueles pelos quais vale a pena viver.
Seu poder de agir surge da motivação de expressar-se, de compartilhar e de construir no mundo. Suas ações têm impacto construtivo quando você vive seus valores e age pensando também no próximo".
 
SUBIRANA, Miriam. Serenidade mental: decida com lucidez. Petrópolis, RJ: Vozes, 2015. p. 71-73.
 
 Ilustração de Jessie Willcox Smith (1863-1935)