quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Eis o brilho do homem


"Uma vida que é boa é sempre uma vida moderada. E não é uma tarefa fácil encontrar a própria medida. Pois, como diz o filósofo grego Aristóteles, "a natureza do desejo é ilimitada e a multidão vive apenas para satisfazê-lo". Temos a tendência de fazer tudo de um jeito desmedido. Uma pessoa fascinada pelo esporte corre o risco de praticá-lo sem medida. O dinheiro e a posse têm a tendência de desenvolver em nós a cobiça por mais dinheiro e mais posses. E muitas vezes não encontramos a medida certa ao avaliarmos nós mesmos: elaboramos imagens ideais de nós mesmos e não queremos admitir que a nossa realidade não alcança esse ideal. É doloroso manter a medida certa na avaliação que fazemos de nós mesmos. No entanto, experimentamos um fascínio em relação às pessoas que encontraram a medida certa. Por outro lado, quem não tem mais uma medida certa com a qual medir a si mesmo nos transmite uma impressão ruim. Essa pessoa se superestima. E acha que pode trabalhar mais do que os outros. Mas, quando testamos a sua capacidade, vemos que ela é bem modesta. Não podemos ter expectativas em relação a essas pessoas. Abbas Poimen, um monge do século IV, disse o seguinte: Conhecer a própria medida é como uma grande honra". O que constitui o brilho do homem é o conhecimento de sua medida e o fato de viver de acordo com ela".

GRÜN, Anselm. Pequeno tratado do bem viver. 2.ed. Perópolis, RJ: Vozes, 2013, p. 188-189.
 
 
 
 Camélia.
Paul Jones Flora Magnifica & Flora Superba


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