sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Escuta profunda


"Na maior parte do tempo, nossa mente está tão repleta de pensamentos que não temos espaço para ouvir a nós mesmos nem ninguém mais. [...].
Muitos de nós vivem sobrecarregados. Não parecemos ter espaço necessário para realmente ouvir e entender os demais. Pensamos muito enquanto trabalhamos oito ou nove horas diárias, sem parar, e praticamente nunca voltamos nossa atenção à respiração nem a nada mais, simplesmente pensamos. E acreditamos que, se queremos o sucesso, não podemos fazer outra coisa além disso. [...].
Quando falamos, claro que só dizemos o que nos parece certo. Porém, algumas vezes, por conta da maneira como falamos, o ouvinte não nos entende e nossas palavras não alcançam o efeito desejado, não esclarecem nem melhoram o entendimento da situação. E devemos nos perguntar: "Estou falando por falar ou estou falando porque acho que essas palavras podem ajudar a curar alguém?" Quando nossas palavras são ditas com compaixão, baseadas no amor e na atenção que devotamos à nossa interconexão, nossa fala pode ser classificada como correta.
Quando damos uma resposta imediata a alguém, em geral apenas vomitamos o que sabemos ou reagimos no calor da emoção. Quando ouvimos a pergunta ou o comentário de outra pessoa, não separamos um tempo para escutar e observar profundamente o que está sendo dito. Simplesmente devolvemos uma réplica imediata e impensada. E isso não é útil.
Da próxima vez que alguém lhe fizer uma pergunta, não a responda imediatamente. Receba a pergunta ou o comentário e permita que tais palavras penetrem em seu corpo, deixando claro a quem fala que ele ou ela foi verdadeiramente ouvido.[...]".
 
HANH, Thich Nhat. Silêncio: o poder da calma em um mundo barulhento. Rio de Janeiro: HarperCollins Brasil, 2016. p. 81-84.
 
 
 
Conversas
Pintura de Claude Monet (1840-1926)


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