terça-feira, 18 de outubro de 2016

O Discípulo

"Quando Narciso morreu, o lago de seu prazer transformou-se de receptáculo de águas doces em poço de lágrimas salgadas, e as Oréades vieram chorando pelo bosque cantar para o lago e dar-lhe conforto.
E quando viram que o lago havia se transformado de poço de águas doces em poço de lágrimas salgadas, soltaram as tranças verdes de seus cabelos, choraram pelo lago e disseram:
- Não nos admiramos de que chores desta maneira por Narciso, tão belo era ele.
- Mas Narciso era belo? - perguntou o lago.
- Quem saberia melhor que tu? - responderam as Oréades. - Por nós, ele sempre passava direto, mas tu ele procurava, e deitava-se às tuas margens e fitava-te, e no espelho de tuas águas admirava sua própria beleza.
E o lago respondeu:
- Mas eu amava Narciso porque, quando ele se deitava em minhas margens e olhava para mim, no espelho de seus olhos eu sempre via minha própria beleza refletida".
Oscar Wilde (1854-1900)
A LINGUAGEM do amor. São Paulo: Melhoramentos, 1994.
 
 
 
 
Pintura de Maxwell Armfield (1881-1972)
 

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